Joe Sacco: Guerras e quadrinhos

Jornalista e quadrinista, une a realidade das guerras ao Universo HQ com suas obras

Joe Sacco

Joe Sacco nasceu em Malta em 1960, atualmente reside em Seattle (Estados Unidos) e é reconhecido mundialmente pela combinação de suas duas profissões: artista de quadrinhos e jornalista. Suas obras mais conhecidas são “Palestina: Uma nação ocupada” e a segunda parte, “Palestina: Na faixa de gaza” e “Área de Segurança: Gorazde”, publicadas no Brasil pela Conrad Editora.
Sua história em quadrinhos Palestina (também publicada pela Conrad), sobre o período que passou nos territórios ocupados, ganhou o American Books Award em 1996 e, no Brasil, recebeu o prêmio HQ Mix de melhor graphic novel estrangeira em 2000. Em suas obras, o autor estabeleceu o gênero batizado como “jornalismo em quadrinhos”. Devido à sua visão nua e realista das guerras, seu trabalho recebeu destaque em veículos como The New York Times, Entertainment Weekly, World Art, Speak, entre outros.
A ideia do “jornalismo em quadrinhos”, à primeira vista parece absurda. A linguagem objetiva do jornalismo é tão diferente da livre imaginação e subjetividade dos quadrinhos que os mais radicais apreciadores de ambos os lados torciam o nariz. Ou é uma coisa ou é outra. Ou não.
Se fossem a júri, a prova definitiva seria qualquer capítulo de qualquer livro do Sacco. Sim, jornalismo em quadrinho dá certo, e pode ficar muito bom. Para quem ainda não leu seus livros, um bom começo é Palestina: Uma Nação Ocupada.
O livro acontece na voz do próprio autor, sobre um confronto que já dura séculos. Logo no início, Sacco revela a opinião clássica da maioria dos cidadãos ocidentais: todo palestino é terrorista. Uma sentença tão estúpida quanto à expressão que todo flamenguista é bandido. Um paralelo obviamente desmedido. Se por um lado a brincadeira brasileira surgiu se uma provocação entre torcidas, o problema entre árabes e hebreus é muito maior, mais antigo e mais apaixonado.

Suas revistas:

Palestina: Uma Nação Ocupada – tem muitas faces e um forte embasamento na História. Sacco dá o nomes e as datas, comprime os vários anos do confronto e os eventos fundamentais da construção do Estado de Israel, desde o mórbido lema sionista “uma terra sem povo para um povo sem terra”, até década de 90, em que uma enorme população lutava para superar a negligencia de todas as autoridades mundiais e tentava sobreviver em algumas faixas de terra cada vez mais minguadas.
Palestina foi publicado em 1996, mas corresponde à realidade de alguns meses entre 91 e 92 em que o escritor viveu no território palestino.

Palestina, na faixa de gaza – Nesta nova obra, publicada pela Conrad Editora, Joe Sacco dá continuidade à discussão da questão Palestina, que iniciou em seu primeiro álbum. Nesse sentido, o atual representa seu relato pessoal de viagem pela Faixa de Gaza, entre 1991 e 1992, coletando entrevistas de judeus e palestinos.
Utilizando uma série de conversas documentadas com cerca de cem pessoas, Palestina, na Faixa de Gaza o autor mostra como vive, às margens da história, a população expulsa das próprias terras pelos israelenses. Os palestinos parecem atônitos diante de tanta desgraça: as imagens de Sacco retratam pessoas tristes, arqueadas, com os ombros baixos, que se sentem esquecidas do mundo. Por outro lado, as gravações também evidenciam um povo que, ao contrário do que, muitas vezes, a mídia nos mostra, tenta recuperar um espaço digno para a vida, resgatando a sua cultura e memória. Durante as diversas entrevistas, o autor revela depoimentos de homens e mulheres sensíveis e inteligentes.

Palestina - Joe Sacco

Referências:
www.jb.com.br
wikipedia.org

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