Novos X-Men: Rebelião bem sucedida

Novos X-Men” relembra a fase de Grant Morrison no título, marcando uma época de mudanças radicais para a equipe mutante.

Novos X-men

Quando Grant Morrison assume um título, uma coisa é certa: em poucas edições, você verá tudo que conhecia a respeito daquela revista sendo remexido até seus personagens e o ambiente ao redor serem transformados completamente, ficando quase tudo irreconhecível. Se o resultado final será melhor ou pior que a fase anterior, isso é ponto de discussões calorosas entre os fãs. Não podia ser diferente em 2001, quando o escritor assumiu o título da maior equipe mutante da Marvel.
A Panini Comics lançou recentemente o encadernado de “Novos X-Men”, que traz dois arcos completos: “Rebelião no Instituto Xavier” e “Assassinato na Mansão Xavier”, bastante representativos da época em que Morrison escrevia o título. Vale lembrar que, nesta época, o escritor inglês fez com a equipe aquilo que sabe melhor: mudar radicalmente. Foram dele ideias como a de Charles Xavier abrir para o mundo que sua escola abriga mutantes para ensiná-los a lidar com seus poderes e, ao mesmo tempo, a filosofia de que as duas raças poderiam conviver em paz; a segunda transformação do Fera, mas desta vez em uma espécie de felino azul; as entradas de Xorn (o mutante com uma estrela na cabeça) e da vilã redimida Emma Frost; as mudanças dos uniformes coloridos para o padrão amarelo; e preto de couro e uma nova abordagem nas personalidades de todos eles. Muitos desses conceitos foram utilizados no primeiro filme dos X-Men.


Como não bastasse tudo isso, Morrison também reverteu outro conceito no universo Marvel: graças à “saída do armário” de Xavier e sua escola para mutantes, o histórico ódio e preconceito contra os mesmos foi substituído por uma espécie de “moda pró-mutante”, trazendo coisas boas e também ruins para os homo-superior. É com tudo isso e o levantamento de inúmeras questões a respeito da comunidade mutante que Grant brinca na primeira história, quando o mutante-gênio Quentin Quire passa a discordar da ideologia de Charles, incitando cada vez mais a violência, a discórdia e outros pensamentos totalitaristas e revolucionários entre os alunos, com consequências trágicas para todos. Uma delas é o aparente assassinato de Emma, transformando o segundo arco em uma história policial de mistério e suspense, em que o policial do futuro Bishop precisa desvendar este caso em que todos são suspeitos.

Morrison promete mudanças que nem sempre podem agradar a todos, mas os títulos mutantes bem que precisavam mesmo de uma “virada de mesa” nessa época em que esse universo estava saturado de aventuras sem sal e sem substância. Ele trouxe ao título o levantamento de questões sociais polêmicas, drama e um aprofundamento maior das vidas pessoais dos personagens (mesmo que, para isso, ele tenha alterado os padrões de comportamento de alguns deles). Ele fez tudo isso sem esquecer a aventura e os elementos típicos de uma história de super-heróis, dando sempre a chance do desenhista Frank Quitely mostrar seu talento com desenhos expressivos e uma boa narrativa visual. É claro que os conceitos metafísicos absurdos e além da compreensão humana que Grant adora inserir em qualquer obra que escreva também se fazem presentes nas edições, mas são poucos em relação a outros títulos que ele já escreveu e não dificultam (muito) a compreensão daquilo que está acontecendo.

Se você não conheceu essa fase dos X-Men, “Rebelião no Instituto Xavier” pode ser um interessante começo para se ambientar no universo mutante de Grant Morrison. Você pode não gostar de primeira, mas dê uma chance ao escritor inglês. Depois do choque inicial, você vai gostar do que lerá…

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