Conheça Johnny Hart

Saiba mais sobre a carreira desse polêmico desenhista de Nova Iorque

Johnny Hart

Desenhista novaiorquino (18/02/1931 – 07/04/2007), criador de B.C. (“A.C.”, no Brasil) e “O Mago de Id” (1964).
O pai de John Lewis Hart, também cartunista o ensinou a ler as tiras com olhar técnico. Assim, cresceu examinando estilos e criando o seu próprio. Ele serviu à Força Aérea Americana e publicou cartuns e tiras nos jornais militares Pacific Stars e Stripes. Conheceu sua mulher na Georgia e se casaram em 1952. Depois que abandonou a carreira militar, publicou seu primeiro cartum como free-lancer, em 1953, no Saturday Evening Post. Mas foi com B.C. que começou a chamar atenção.
Ele gerou controvérsias com suas bem sacadas licenças-poéticas ao misturar em seus cartuns todo tipo de coisa como: evolução, telefone, baseball, filosofia, hockey, boliche, crises psicológicas, terapeutas, relações conflituosas, fio dental, telefones, dinossauros, homens das cavernas, alces e mensagens religiosas. Hart também colaborou com Brant Parker na tira medieval “O Mágico de Id“.

tirinha Johnny Hart

“B.C.” (before Christ) começou a ser publicado em 1958, foi distribuído pela Creators Syndicate para mais de 1.300 jornais no mundo e lido por mais de 100 milhões de pessoas. para se incorporar ao grupo de ‘quadrinhos intelectualizados’, dando uma visão dos homens pré-históricos como se os seus conhecimentos fossem os atuais. Há um tênue ponto de ligação entre B.C. e os Flintstones, de Hanna-Barbera. O primeiro expõe o Homem intrinsicamente. O segundo é uma crítica à classe média americana.” (não há informações sobre se Hart era um esquerdista – “liberal” americano – ou não, mas é de conhecimento que, ironicamente, no final da vida ele se tornou um fundamentalista cristão).

tirinha Johnny Hart

O jornal Times publicou “B.C.” de 1968 a 2001, quando considerou as tiras polêmicas demais. Há quem diga que B.C. foi a tira mais censurada do mundo!
Desde 1980, quando se converteu ao cristianismo (ele era presbiteriano), Hart passou a inserir mensagens religiosas em seus cartuns e tiras, principalmente no Natal e Páscoa. Alguns membros da comunidade judaica e muçulmana reclamaram com a sua distribuidora, alegando que suas tiras eram ofensivas ou inapropriadas.
Pressionados, muitos jornais se recusaram a publicar as tiras “B.C.” depois da Páscoa de 2001. Ele desenhou um candelabro hebraico de sete velas, para cada vela apagada, escreveu uma frase que teria sido dita por Cristo. Quando a sétima palavra é escrita, o candelabro queimado vira a cruz no monte onde Jesus foi crucificado e o sangue escorre até uma caverna típica da tira, onde se vê um altar de pedra com o pão (corpo) e o vinho (sangue). Causou furor!

B.C. Johnny Hart

Hart parecia não se importar com isso e disse “eu espero que este cartum gere mais interesse na discussão religiosa”.
A Liga de Defesa dos Judeus fez até uma campanha na internet para que leitores do mundo inteiro pedissem o fim da publicação das tiras: (veja)
Mas, muitos leitores cristãos aprovaram e apoiaram seu humor religiosamente engajado.
Em uma entrevista bombástica ao Washington Post (1999), ele disse que “Judeus e Muçulmanos que não aceitarem Jesus, arderão no inferno”, “Homossexualismo é coisa de Satã” e “O fim do mundo deverá ser em 2.010”.
“B.C.” não foi a única tira a fazer isso, “Peanuts” (Charlie Brown), “The Family Circus” e “Dennis the Menace” (Denis, o Pimentinha) também tocaram em assuntos bíblicos, feriados cristãos e seus significados.

Foram editadas centenas de coletâneas no mundo inteiro.
Dono de um traço ágil e expressivo, com humor inteligente e texto curto, certamente vai deixar saudade entre os que se interessam pela tradição da Tira em Quadrinhos. Ele influenciou muita gente boa até aqui em terras tupiniquins, como Henfil (Graúna) e Luiz Fernando Veríssimo (As Cobras).

“A partir de B.C., foram surgindo os outros personagens: um perneta poeta, um inventor complexado, um filósofo do absurdo, um estoque de formigas existencialistas, um dinossauro de aspirações humanitárias, uma pedra falante, algumas flores animadas, uma tartaruga e um pássaro inseparáveis, e mais alguns homens das cavernas mais próximos dos ‘beatniks’ do que da vigorosa truculência de ‘Alley Oop’ (Brucutu), no centro de um mundo deserto.”
O personagem pré-histórico provocou polêmica quando, com a conversão de Hart ao cristianismo, suas agudas observações adquiriram também conotações religiosas.
Entre nós, B.C. foi publicado no ‘Jornal da Tarde’, de São Paulo, sob a forma de tiras diárias e em algumas revistas. A editora RGE publicou uma edição, de quadrinhos de bolso, em 1976, com 80 páginas em preto e branco.

Personagens criados por Johnny Hart (15)

• Adder, A Cobra
• B.C.
• Bufão, O Bobo
• Clumsy
• Cute Chick
• Fat Broad
• Grog
• Jake, A Formiga
• Mago de Id
• Maude
• Peter
• Rei de Id
• Sir Rodney
• Thor
• Wiley

Referências: Guia dos quadrinhos | Fotolog Terra


Encontre a revista A.C. no site do Mania de Gibi

 


A.C. Johnny Hart

1 Comentário Conheça Johnny Hart

  1. Manoel Mendes

    Gostaria de ter acesso às tirinhas do B.C. ou A.C.
    Antes eram publicadas no Jornal Tarde do Estadão. Agora não se ve mais!

    Reply

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