Conheça Targo

Plágio brasileiro do Tarzan feito pela Editora Outubro/Taika

Targo
Além do Fantasma, Tarzan foi dos personagens clássicos mais plagiados, devido à sua popularidade do Brasil. E quem pensa que eram os roteiristas e desenhistas que tomavam tal iniciativa, engana-se. Como sempre, as editoras, históricas subservientes do mercado estrangeiro, achavam sempre que se algo fazia sucesso nos EUA, também fariam por aqui. E assim, exigiam dos criadores adaptações de heróis de fora para o Brasil.

Em meados dos anos 60, aproveitando o sucesso do gênero, foi criado o Targo da Editora Outubro (depois renomeada para Taika). O personagem foi criação conjunta de editores e quadrinistas da Editora Outubro, coube a Gedeone Malagola dar nome ao herói, segundo ele o nome veio de um amigo policial que possuía o sobrenome “Targa”, Gedeone costumava brincar com o nome do amigo comparando-o ao Tarzan dos macacos.
Targo era um orfão que sobreviveu de um acidente de avião na Floresta Amazônica (mais precisamente na fronteira do Estado do Amazonas com o Peru) e foi criado por índios apocajés, a personagem teve histórias produzidas por artistas como Helena Fonseca, Jayme Cortez, Gedeone Malagola, Nico Rosso e Rodolfo Zalla.
Targo vivia numa amazônia mítica com a do livro O Mundo Perdido de Arthur Conan Doyle, onde dinossauros vivem com os humanos em pleno século XX.
O personagem foi criação conjunta de editores e quadrinistas da Editora Outubro, coube a Gedeone Malagola dar nome ao herói, segundo ele o nome veio de um amigo policial que possuía o sobrenome “Targa”, Gedeone costumava brincar com o nome do amigo comparando-o ao Tarzan dos macacos.
TargoTargo foi criado dessa forma. Seus roteiros eram quase sempre de Helena Fonseca e Francisco de Assis, mas houveram outros escritores, e todos tentavam imprimir no herói alguma característica brasileira, visto que na época (ao contrário de hoje), os leitores se identificavam com personagens que explorassem coisas nossas. Tanto é que Targo, às vezes, estava no Planalto Central, e, às vezes, na floresta Amazônica, se bem que, ocasional e estranhamente se via em ambientes pré-históricos, com dinossauros e tudo. Tal como antes o foi o Escorpião, se tornou um defensor de nossas florestas.

As aventuras de Targo eram bem diversificadas, pois variavam entre roteiros ingênuos e violentos, com algumas passagens que pareciam fábulas infantis, com fundo moral e tudo.
Foi publicado pela Editora Taika, em fins dos anos 60 e início dos 70, e chegou a ser desenhado pelo competente Rodolfo Zalla. De acordo com Zalla, a revista tinha a intenção de conquistar os leitores de Tarzan, que, na hora de comprar, poderiam confundir os nomes, já que ambos começaram por TAR. Uma jogada de marketing que, pelo visto, deu certo, pois o personagem acabou fazendo sucesso e permanecido nas bancas por muito tempo.
Almanaque do TargoEscrita por Francisco de Assis e desenhada por Moacir Rodrigues (dois dos artistas mais produtivos do período), a primeira história do Almanaque do Targo chama-se Contrabandismo de Areia Monazítica! (com ponto de exclamação no final). A curiosidade começa logo no título, duplamente: um substantivo em desuso nos dias de hoje e uma palavra que causa estranheza a qualquer um que não seja geógrafo. Nesta primeira história, Targo enfrentará um bando de piratas, homens brancos malvados que atracam em idílicas praias indígenas onde não medem esforços nem crimes para conseguirem esta preciosa areia radioativa, que os índios usavam para manutenção de corpos belos e saudáveis. Esta HQ me chamou a atenção por dois motivos: a hilaridade (Involuntária? Extemporânea? Huum…) e a violência. Se a moçadinha de hoje lesse esta história, iria certamente considerar Targo o mais “vacilão” dos heróis. Incríveis as suas patacoadas, a mais ridícula foi acreditar numa possível “bondade” dos homens que lá atracavam – claro que depois disto ficou se culpando pelos índios metralhados. Outra coisa incrível foi o chefe dos piratas vilões – quase dá uma surra em Targo, e ainda enfrenta o herói e seus aliados o tempo todo vestido em roupa de dormir, o que inclui um ridículo gorro de pompom. Irritante em Targo é o fato dele ficar o tempo todo medindo seus movimentos, ou narrando os próprios perigos.
A segunda história (feita pela mesma dupla da HQ anterior), a mais curta das três com o herói silvícola neste Almanaque, chama-se O Monstro da Floresta, e sua infantilidade é descarada: um certo povo da floresta anda assustado com as atitudes agressivas de um elefante (sendo que os roteiristas não se deram conta que não existem elefantes na fauna brasileira…). Targo é chamado para ajudar, encontra o bicho, leva um suador danado, mas acaba descobrindo o motivo de tanta fúria elefantina: um espinho debaixo da “patinha” (espinho de ferro, imagino). Moral da história: elefante sem espinho na pata vira amigo de herói bonzinho. A terceira aventura de Targo no gibi, A Invasão dos Sáurios Voadores, é desenhada igualmente por Moacir Rodrigues, agora sob texto de Helena Fonseca. História com a família de Targo – claro, vocês acham que nosso herói, só por ser subdesenvolvido, não teria sua Jane e seu Boy? Os nomes foram abrasileirados, como se fosse possível evitar o vexame do plágio descarado. “Jane” ganhou o nome de Arimá, e o “Boy” de Targo chama-se Aurici. Nomes meio assim… deixa pra lá, vai que eu pego algum(a) leitor(a) com nome idêntico. Não há chimpanzé de estimação, mas não pensem que esta família não tem a sua “Chita” – trata-se de uma onça de nome Jaguaretê. O enredo não poderia ser mais fabulesco: Aurici, “aborrecente”, já se acha um valentão capaz de catar dinossauro à unha – claro que vai acabar colocando em perigo toda a família, sendo salvo pelos pais, e ainda ouvindo deles, resignado, as costumeiras lições de moral.
Targo
A grande surpresa neste Almanaque do Targo é uma história de 29 páginas estreladas por um super-herói clássico dos quadrinhos brasileiros: Fantastic, no traço limpo e caprichado de Osvaldo Talo, ilustrando esta animadíssima HQ de Luiz Meri. Sem superpoderes, mas com engenhocas fantásticas, além de incríveis força e agilidade em combate aos criminosos, nesta aventura Fantastic se vê às voltas com assaltantes que tentam se passar por fantasmas. Com seu multifuncional cinto de utilidades (que inclui luz infravermelha, raios, etc.) e seus golpes possantes, Fantastic não dá mole aos bandidos e nem ao desenhista, craque na arte de mostrar cenas de luta e ação com o herói. O convidado especial é, de longe, a melhor coisa deste simpático Almanaque do Targo.
Hoje, nem Targo e nem Tarzan estão mais nas bancas…

Publicações

1ª série pela editora Outubro – de 1965 a1966 com 22 edições
Seleções Cômicas pela editora Taika – de 1966 a 1968 com 13 edições
2ª série pela editora Taika – 1974 com 7 edições
Uma edição especial de Targo e Vingador pela editora Taika
Tiveram 5 almanaques publicados pela editora Taika
Uma edição pela editora Ninja

Vingador e Targo
Revistas Targo

Veja as revistas de Targo no site

Referências: Guia dos quadrinhos | Wikipedia | Bigorna | Oocities | Gibiraro

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