Homem-Aranha 50 anos: Confira a terceira parte do material sobre a vida do herói aracnídeo

Saiba sobre o Mundo de 2099 e conheça os uniformes do Spider-man

Uniformes Spider

Há décadas, histórias sobre o futuro de super-heróis, seus filhos ou herdeiros já não são mais novidade nos quadrinhos.
Uma das superequipes mais cultuadas da DC Comics, a Legião dos Super-Heróis, estreou em abril de 1958 com três jovens inspirados no Superboy protegendo a paz universal no século 30. Batman: o cavaleiro das trevas, de Frank Miller, abalou os alicerces da arte seqüencial em 1986 ao mostrar o herói voltando à ativa após dez anos de reclusão.
Revistas Spider
Na Marvel Comics, o maior clássico do subgênero é Dias de um futuro esquecido, produzido por Chris Claremont e John Byrne para os X-Men. Hoje temos publicada a personagem Garota-Aranha, a filha de Peter Parker, num possível futuro próximo. E de 1992 até 1998, os leitores acompanharam as aventuras do Homem-Aranha e vários outros representantes de peso do Universo Marvel em 2099.

O MUNDO DE 2099

O cenário, apesar dos carros voadores e da tecnologia avançada, não era nada agradável. O mundo havia sido dominado por corporações sem escrúpulos como a Alchemax e a Stark-Fujikawa; a polícia privatizada beneficiava apenas os mais ricos, sem a menor preocupação em proteger inocentes ou fazer justiça; não restava liberdade alguma; e a única esperança residia na improvável volta de Thor, o deus do trovão.
Antes de nos aprofundarmos no que foi o futuro de um mundo de maravilhas, é pertinente falar de sua concepção. Começou com um álbum jamais terminado que vinha sendo produzido por Stan Lee e John Byrne, apresentando a personagem Ravage no futuro do Universo Marvel. O projeto expandiu-se em reuniões entre Tom DeFalco, Mark Gruenwald, Bob Harras, Ralph Macchio e Fabian Nicieza. Pouco tempo depois essa turma recrutou o ex-editor da DC, Joey Cavalieri. Em vez de um álbum, toda uma nova linha de séries mensais estrelando, além do citado Ravage, já bastante alterado em relação a seu conceito inicial, versões futuras do Homem-Aranha, do Justiceiro e do Dr. Destino. Logo depois foi a vez dos X-Men, do Incrível Hulk, do Motoqueiro Fantasma, da Geração X e do Quarteto Fantástico.
Escrita por Peter David e desenhada por Rick Leonardi, a revista do Homem-Aranha 2099 foi a melhor do pacote e deixou saudades nos fãs.
Miguel O Hara, o aracnídeo do futuro, não ganhou seus poderes nos tempos de colégio, como seu predecessor. Além disso, nas histórias, a angústia adolescente não foi um tema explorado. Já adulto, trabalhava como chefe de um projeto de aprimoramento genético da Alchemax, inspirado nas capacidades do Homem-Aranha original.
O Hara teve o destino drasticamente alterado após um trágico experimento que visava ampliar a força de um condenado, usado como cobaia. O saldo foi a morte desse indivíduo. Decidido a abandonar a companhia, Mig foi logrado pelo magnata Tyler Stone, que o contaminou com um alucinógeno chamado Êxtase. Uma vez ingerida, a substância tornava-se tão vital quanto oxigênio.
O Hara parecia não ter escolha a não ser se submeter ao jogo da nefasta Alchemax. Como havia usado seu próprio código genético em algumas experiências, todavia, decidiu fazer uso do material para reestruturar sua própria estrutura molecular e assim livrar-se da dependência do êxtase. Teria funcionado, se seu superior Aaron não interferisse, misturado inadvertidamente a programação de O Hara com os códigos do Projeto Aranha. Saído de uma câmara de visual remanescente do filme A mosca, o transformado Miguel O’Hara já revelou que seus poderes, também, não eram exatamente os mesmos de Peter Parker.
A força e a agilidade proporcionais às de uma aranha continuavam as mesmas. Daí para frente, o Aranha do futuro herdou um pouco mais de um aracnídeo genuíno. Garras retráteis brotavam de suas mãos e pés. Sua visão tornou-se mais sensível. O fluido de teia era produzido em seus ante-braços e lançado naturalmente (idéia, repare, aproveitada por Sam Raimi para a versão cinematográfica do Aranha) e nasceram ainda peçonhas capazes de inocular veneno.
Se Peter Parker pensou de início em ganhar dinheiro com seus poderes, e em combater o mal apenas após o assassinato do Tio Ben, Miguel O Hara não teve as mesmas oportunidades e já foi obrigado, de início, a lutar por sua sobrevivência. Trajando roupa de moléculas instáveis azul com uma grande caveira aracnídea estampada na frente, tecido ultraleve colado para planar nas correntes de vento – o que viria a ser o uniforme do novo herói – o Aranha 2099 teve como primeiro desafio o superciborgue Risco, contratado da Alchemax para capturá-lo.
Tudo o que Miguel O Hara não queria era virar super-herói. Pretendia se livrar de suas recém-adquiridas habilidades sobre-humanas o mais rápido possível. Para mostrar como sua atitude começou a mudar, é necessária uma rápida apresentação do elenco de coadjuvantes que marcou a série.
Gabriel O Hara, o irmão de Miguel, tinha o hábito pouco saudável de se envolver com mulheres problemáticas. Quando sua namorada Kasey, uma despojada terrorista, é capturada pela Alchemax, Gabe recorre a Miguel, na cena em que apareceu, pela primeira vez, em 2099 o sagrado mantra com grande poder, vem grande responsabilidade. Para resgatá-la, o Homem-Aranha do futuro enfrenta um samurai da Stark-Fujikawa e, fuzilado pelos oficiais do Olho Público, cai no misterioso submundo, onde encontra e enfrenta o canibal Abutre.
O Hara começava assim a se dar conta da importante responsabilidade que deveria assumir. De volta á cidade alta, descobre que seus atos estavam contagiando a povo, quase criando uma nova religião, com pessoas vestindo trajes similares ao seu, os chamados aracnitas. Quando visita sua mãe no asilo Lar Vale Feliz, relembra a relação complicada com o pai e vê o quanto ela admira o Aranha. O novo super-herói renasce, agora convicto de sua missão.

DESTAQUES DO FUTURO

A Volta dos Deuses foi o primeiro crossover a envolver todos os títulos da linha 2099. Homem-Aranha, Ravage, Justiceiro, os X-Men e Destino reuniram-se na trama que levou ao futuro Thor, Loki, Hela, Heimdall , os deuses cuja volta a população sempre aguardou, comandando a cidade flutuante de Valhalla.
Como foi revelado no decorrer da trama, tudo não passou de um plano arquitetado pelo vil Avatarr. Os deuses eram pessoas comuns geneticamente transformados e reprogramadas, e a cidade, uma ameaça de alto poder destrutivo. O vilão estava criando seus próprios heróis para dilacerar a influência positiva do Aranha e dos demais campeões da liberdade, capazes de inspirar independência individual. Desnecessário narrar o resultado da ação conjunta dos vários heróis contra o mal.
Revista SpiderAinda mais espetacular foi o encontro do Homem-Aranha 2099 com o original, Peter Parker, num especial de 1995.
Começa com o Aranha do presente, sem razão perceptível, em 2099, balançando-se no ar e sendo perseguido por representantes do Olho Público. Da mesma forma, Miguel O Hara chega ao apartamento de Peter, para desespero de Mary Jane Parker. Mig vai até o prédio do Clarim Diário em busca de informação, certo de que aquele dia seria marcado por uma tragédia, que iniciaria o fim da era heróica do século 20. A cena em que ele cala a boca de J. Jonah Jameson com fluido de teia é antológica.
Em 2099, Peter Parker pondera sobre a possibilidade de passar o resto de sua vida num futuro longínquo, tendo a chance de recomeçar sua vida, mas sem Mary Jane e seus grandes amigos. Os dois aracnídeos acabam parando na desolado futuro do Duende Macabro 2211, e recebem a ajuda de um visitante inesperado.
Uma bela produção de Petar David e Rick Leonardi, recomendada a todos os fãs do Homem-Aranha, mesmo quem ainda não teve contato com sua versão futura. Foi publicada no Brasil em Homem-Aranha 2099 35, agosto de 1996.
Uma sucessão de decisões editoriais equivocadas resultou no cancelamento de toda a linha 2099, que teve suas pontas fechadas no especial Manifesto Destino. Não significa que estas maravilhosas personagens estejam definitivamente esquecidas. Recentemente, Peter David trouxe de volta o Aranha 2099 nas páginas de sua revista Capitão Marvel. Por enquanto, não há nada prometido em termos de um revival, mas a esperança persiste. O verdadeiro futuro, como devemos saber, ainda está para ser escrito.

Os uniformes do Homem-Aranha nos quadrinhos

O Homem-Aranha tem um dos uniformes mais distintivos dos quadrinhos. Mas esse está longe de ser o único que ele utilizou! Ao longo dos anos, Peter Parker vestiu uma série de uniformes, fosse por razões narrativas (mais raramente) ou comerciais (quase todas as vezes…). Seria impossível detalhar todos os uniformes (e variações) que ele já usou, mas tentamos destacar os mais marcantes:

O improvisado

O improvisado  O primeiríssimo “uniforme” que Peter usou não passava de uma máscara (ou seria uma meia?) na cabeça que ele botou para lutar com o lutador “Crusher” Hogan em sua primeiríssima aparição pública. O motivo? Ele tinha medo de passar vergonha se perdesse! Sua vitória fácil não só lhe valeu o dinheiro do prêmio como um convite para aparecer na TV. Decidido, porém, a se manter anônimo, Peter resolveu criar um traje especial e descartou sua máscara improvisada.
Primeira aparição: Amazing Fantasy 15.

O clássico

O classicoFoi este uniforme que o herói criou para aparecer na TV e veste, com algumas pequenas variações até hoje. O design, criado por Steve Ditko, é extremamente distintivo e torna quase impossível confundir o Homem-Aranha com outro super-herói. Algumas características são dignas de menção:
A complexidade do uniforme – maior parte dos uniformes da Marvel são bastante simples e diretos, provavelmente por influência de Jack Kirby, que criou a maior parte deles, mas o uniforme do Aranha é extremamente complexo, com os padrões de teia desenhados por quase todo o corpo (dez entre dez desenhistas consideram essa a parte mais complicada do trabalho…). Ditko adorava esses designs mais complexos, mas é provável que, se fizesse a mínima idéia da longevidade de sua criação, tivesse elaborado um uniforme mais simples. O padrão exato das teias no uniforme acabou sendo estabelecido por seu sucessor, John Romita, que também definiu diversos outros elementos do uniforme.
A “cobertura integral” – o uniforme do Homem-Aranha foi o primeiro, e até hoje é um dos raros e únicos, a cobrir todo o corpo do herói, inclusive os olhos! Além de fazer bastante sentido em termos de história (um super-herói que deseja permanecer anônimo deve ocultar o máximo possível sua identidade!), a opção ainda cria um ponto extra de identificação com o leitor. Por baixo de seu traje, o Homem-Aranha poderia ser jovem ou adulto, branco ou negro, até mesmo homem ou mulher (usando enchimentos sob o uniforme, a terceira Mulher-Aranha, Mattie Franklin, assumiu a identidade de Homem-Aranha por um curto período de tempo enquanto Peter Parker estava afastado!). Sem dúvida esse é um dos fatores que contribuiu para a duradoura popularidade da série.
O esquema de cores – embora hoje em dia todos pensem no uniforme do Homem-Aranha como “vermelho e azul”, ele foi pensado originalmente como vermelho e… Preto! O que aconteceu foi precisamente o mesmo que fez com que o capuz do Batman (negro durante sua primeira aparição e eventualmente “convertido” para azul) mudasse de cor. Na época, com uma limitada paleta de cores disponível, o azul “chapado” era utilizado para determinar a reflexão de luz no uniforme, assim várias seções da parte preta do uniforme ficaram azuis. Com o tempo, Ditko (que não tinha arte-finalista para fazer esse trabalho por ele) foi colocando cada vez menos preto no uniforme, que ficava com áreas azuis ainda maiores. Logo o uniforme ficou vermelho e azul mesmo, e assim continua apesar dos esforços ocasionais de alguns artistas (como Erik Larsen e John Byrne) que tentam restituir o negro do uniforme a seu devido lugar. Sem sucesso.
O símbolo da aranha no peito – outro elemento que mudou bastante desde sua primeira aparição. A aranha das costas chegou à sua versão final (que parece mais um carrapato gigante do que uma aranha…) bem rápido, ainda nas primeiras histórias de Ditko, mas a do peito variou bastante ao longo dos anos. Nas primeiras versões as “pernas” da aranha apontavam todas para baixo, mas eventualmente chegou-se a um visual mais harmonioso, com metade das pernas apontando para cima e metade para baixo. O tamanho do símbolo também varia muito, de acordo com o artista.
A máscara com os “olhos” – elemento muito distintivo do uniforme, faz com que o Aranha seja um dos pouquíssimos super-heróis que não mostra sequer os olhos quando está de uniforme! Muitos artistas fazem uso de sutis variações no tamanho e formato dos “olhos” (na verdade as lentes da máscara) para mostrar as emoções do herói, o que é, definitivamente, uma parte essencial do charme dele! A necessidade de maior expressividade fez com que eles fossem aumentando paulatinamente de tamanho ao longo dos anos: Ditko os desenhava bem pequenos, enquanto Todd McFarlane e os artistas que ele inspirou os desenham ocupando quase toda a máscara! O habitual costuma ser um meio-termo entre essas duas versões. A máscara é também a peça do uniforme com maior número de “substituições” improvisadas. O Aranha já precisou atuar com a cabeça coberta por uma máscara de teia, uma máscara sem as lentes nos olhos (tirada de uma loja de fantasias), uma das máscaras da Gata Negra (absolutamente ridícula no rosto de Peter Parker) e até um saco de papel na cabeça! Isso se dá porque nas HQs Peter inteligentemente não costuma ficar dando mole por aí sem máscara. É até comum ele precisar entrar em ação usando a máscara com suas roupas civis! No filme, porém, a necessidade de mostrar o rosto do ator Tobey Maguire faz com que o Aranha “cinematográfico” atue sem máscara por boa parte do tempo…
A teia sob os braços – ao ser criado por Steve Ditko, o uniforme clássico tinha uma espécie de “asas” de teia ligando os braços do uniforme ao corpo. Nunca foi explicado se eram apenas decoração ou se o Aranha as usava para ajudar na hora de pular de um lado para o outro, mas o certo é que elas foram encolhendo e até desaparecendo com o tempo. No final de seu período na série, Ditko por vezes nem as desenhava mais! Escritores posteriores as desenhavam ou não, de acordo com sua preferência. Como elas não fazem parte do uniforme do filme, é pouco provável que os artistas mais novos ainda as desenhem, mas alguns “veteranos” (como os Romitas, Byrne e até Todd McFarlane e Erik Larsen) ainda o fazem.
Extras ocasionais – não é incomum o Aranha usar alguns elementos extras (geralmente feitos de teia mesmo) em seu uniforme. Por exemplo, uma “mochila” de teia para carregar suas roupas civis ou luvas com isolamento para lutar contra o Electro. Seria impossível listar todos esses extras neste artigo.
Primeira aparição: Amazing Fantasy 15.

Uniformes anti-Electro

Anti-electroO super-vilão conhecido como Electro, além de seus poderes elétricos, tem a honra de ter sido responsável pela criação do maior número de uniformes “especiais” do Homem-Aranha até hoje. Pelo menos duas vezes Peter Parker foi obrigado a adotar uniformes especiais isolados para se proteger contra os poderes de seu adversário. A primeira delas improvisando um uniforme a partir de um colchão de ar velho (!), a segunda com um traje bem melhor acabado.
Em ambos os casos o Aranha venceu, provando que a roupa certa pode realmente ser um fator decisivo para o sucesso!
Primeira aparição (versão 1): Spectacular Spider-Man 66.
Primeira aparição (versão 2): Amazing Spider-Man 425.

O uniforme negro

O uniforme negroO único uniforme a realmente desafiar a supremacia do uniforme clássico é o famoso uniforme negro, que teve uma origem bastante convoluta. Aparentemente a idéia de se dar um uniforme negro para o Homem-Aranha veio de um fã, que escreveu para a Marvel sugerindo que o herói utilizasse um traje assim para uma missão noturna. O então editor-chefe Jim Shooter gostou da sugestão e tentou fazer com que o referido fã colaborasse no desenvolvimento dessa história, mas o projeto não foi em frente.
Mais tarde, Shooter criou a ambiciosa minissérie Guerras Secretas (Secret Wars no original), o primeiro megacrossover dos quadrinhos. Durante a criação desta, Shooter decidiu que boa parte dos personagens envolvidos deveriam sofrer mudanças significativas (por exemplo, a Mulher-Hulk substituiria o Coisa no Quarteto Fantástico), que entrariam em vigor logo no momento da publicação da primeira edição da minissérie, com a intenção de fazer com que os fãs acompanhassem a publicação para saber como essas mudanças aconteceram (no Brasil, por questões comerciais, a série foi publicada muito antes que os títulos normais chegassem a esse momento cronológico). Para o Homem-Aranha, Shooter decidiu reutilizar a idéia do uniforme negro.
Quem não gostou nada disso foi o então escritor de Amazing Spider-Man, Roger Stern (responsável por uma das melhores fases do personagem até hoje). Ele decidiu se afastar da série depois dessa imposição (e do afastamento simultâneo do artista John Romita Jr.), deixando o caminho livre para a nova equipe criativa de Tom deFalco e Ron Frenz. Todos achavam que a nova equipe estava sendo “jogada aos tubarões”, uma vez que a mudança do uniforme era impopular dentro da própria Marvel, particularmente no departamento de marketing, que há anos “vendia” ao público o Aranha com seu visual clássico, e a reação inicial dos fãs ao anúncio (antes da publicação em si) foi bastante negativa. As considerações comerciais levaram Jim Shooter a decretar que a mudança seria revertida tão logo Guerras Secretas terminasse, fazendo com que o uniforme negro já nascesse condenado.
Então veio a surpresa. O uniforme (criado por Mike Zeck, o artista de Guerras Secretas) era excelente e fez um enorme sucesso entre os leitores! A primeira aparição da roupa teve vendas astronômicas (e ainda hoje é uma das revistas em maior demanda daquele período, tendo sido reimpressa diversas vezes desde então!), que continuaram sólidas nas edições subsequentes. O uniforme negro juntava boa parte dos méritos do clássico, como a “cobertura integral” e a máscara com “olhos expressivos”, com um esquema de cores incomum nas HQs da época (as técnicas de cor tinham avançado muito desde então) e um design simplificado, sem as teias que os desenhistas odiavam, e de grande impacto. Tão eficiente foi esse design que sofreu apenas duas modificações até hoje, um pequeno ajuste na “aranha” do uniforme (feito por Rick Leonardi em uma das edições da Amazing e eventualmente incorporado à “primeira” aparição do mesmo em Guerras Secretas) e o posicionamento dos lançadores de teia, que se situavam no dorso da mão do Aranha – o que não faria sentido para o personagem, que precisa agarrar na teia para se balançar – e foram depois restituídos a sua posição habitual, no pulso.
Além disso, em sua versão original ele também tinha alguns “superpoderes” próprios, como a capacidade de gerar sua própria teia e de assumir a aparência de roupas civis.
Apesar desse sucesso todo, o uniforme, como mencionado, já nascera condenado. DeFalco idealizou a explicação de que o uniforme seria um simbionte alienígena que estava se apossando do corpo de Parker! Este resolve então se livrar do simbionte, que revela ser vulnerável a ataques sônicos. Eventualmente o simbionte se uniria a Eddie Brock, criando o vilão chamado Venom, mas isso é outra história.
O retorno ao uniforme clássico gerou uma enorme discussão nos EUA, com proponentes de ambos os uniformes pressionando a Marvel. Esta optou por uma solução “salomônica”: A Gata Negra fez uma versão em tecido normal do uniforme negro e deu de presente ao Aranha, que começou a alternar o uso dos dois uniformes. Geralmente utilizando o clássico de dia e o negro de noite. Essa situação durou um certo tempo, com a vantagem pendendo para o uniforme negro, até que a pressão do departamento de marketing chegou a tal ponto que foi decidido abandonar o uniforme negro de vez, usando como justificativa a aparição do vilão Venom.
Mas a versão não foi esquecida e os escritores do Aranha já o fizeram “tirar o pó” do uniforme um punhado de vezes desde então. Aliás, este é o uniforme que o Aranha usa nas edições sendo publicadas atualmente nos EUA, sem dúvida por influência do filme. Mas ainda assim é um sinal da duradoura popularidade daquele que deveria ser um uniforme temporário!
Primeira aparição: Amazing Spider-Man 252.

O espetacular Homem-Vergonha

O Homem-vergonhaAo se livrar do simbionte alienígena com a ajuda de Reed Richards, Peter Parker se viu, literalmente, de cuecas no meio do Edifício Baxter. Claramente ele não poderia voltar para casa assim! O sempre solícito Johnny Storm (Tocha Humana) “gentilmente” arranjou-lhe então um uniforme substituto…
…que nada mais é que um macacão de reserva do Quarteto (sem botas, para o Aranha poder manter sua aderência às paredes) com um saco de papel na cabeça! Para “coroar” sua obra, Storm ainda inclui um papel escrito “me chuta” colado nas costas do pobre do Aranha, que não repara nele até chegar em casa. Sendo que, obviamente, ele precisa entrar em ação no meio do caminho…
Parte da ótima fase do personagem nas mãos da equipe deFalco/Frenz, que primava pelo bom humor, essa história é lembrada até hoje pelos fãs, que fizeram esse “uniforme” entrar definitivamente para a história do personagem, apesar de sua curtíssima duração (somente umas poucas páginas!).
Não foi a primeira nem a última vez que o Aranha precisou entrar em ação com um saco de papel enfiado na cabeça, mas foi sem dúvida a mais humilhante!
Primeira aparição: Amazing Spider-Man 258.

O Aranha Cósmico

Aranha cosmicoDepois do humilhante uniforme anterior, nada mais justo que passarmos para o momento em que o Aranha estava no auge de sua força!
Durante o crossover conhecido como Atos de Vingança (Acts of Vengeance no original), o Aranha recebeu por um curto período de tempo os poderes do Capitão Universo (entidade do Universo Marvel que surge ocasionalmente para dar poderes cósmicos a pessoas que são confrontadas com ameaças terríveis). Durante o seu combate final com o robô conhecido como Tri-Sentinela, o Aranha manifestou todo seu poder cósmico, transformando seu uniforme em um híbrido entre sua roupa tradicional e o traje que o Capitão Universo costuma manifestar em seus “hospedeiros”.
Uma vez derrotada a ameaça, o Aranha voltou a seus poderes e uniforme normais.
Não foi a única vez que o Aranha foi “possuído” por entidades que alteraram sua aparência. Em outras histórias ele assumiu a aparência do Lagarto, Hulk, Carnificina e até a Fênix, entre outros, com alterações correspondentes a seu uniforme. Sempre de forma temporária.
Primeira aparição: Amazing Spider-Man 329.

A Armadura Aranha

Armadura aranhaEm uma outra história, o Aranha se viu envolvido em uma complexa disputa entre criminosos, envolvendo o Rosa, que culminaria em um grande confronto entre os bandidos. Decidido a encerrar a disputa mas sem disposição de levar uma bala perdida no processo, o Aranha decidiu criar uma armadura protetora que o permitisse entrar no meio do tiroteio sem correr o risco de levar um “pipoco”.
A “armadura aranha” não era de metal, e sim de uma “variante sólida” de seu sempre útil fluido de teia. Ela cumpriu satisfatoriamente seu papel, sendo completamente destruída durante o confronto, mas permitindo ao Aranha sair ileso.
Criada durante uma fase particularmente ruim da revista Web of Spider-Man (talvez o pior dos títulos do aracnídeo em toda sua história…), ela parece ter sido idealizada mais por razões comerciais do que narrativas, visto que o Aranha nunca precisara de uma armadura antes – mesmo enfrentando inimigos muito mais perigosos que criminosos armados! Talvez por isso, ela nunca mais apareceu desde sua primeira e única aparição.
Primeira aparição: Web of Spider-Man 100.

O Aranha Escarlate

Aranha escarleteDurante a tristemente famosa Saga do Clone foi revelado que o clone de Peter Parker sobrevivera e adotara o nome de Ben Reilly, vivendo afastado de Nova York durante muitos anos. Ao retornar à cidade, ele decide “voltar à ativa” usando a alcunha de “Aranha Escarlate” e um uniforme improvisado particularmente horroroso.
Quase nada funciona nesse design. O uniforme não tem nada da simplicidade e “aerodinâmica” dos melhores uniformes do aranha. Ele é cheio de “penduricalhos”, com lançadores de teia e cinto externos, bolsinhas nos calcanhares e um inexplicável agasalho com capuz (por que diabos um sujeito mascarado precisa de um capuz?!?).
Dizem que o uniforme teria sido criado propositadamente ridículo para justificar a mudança posterior, quando Reilly tornou-se oficialmente o Homem-Aranha, mas isso nunca parece ter sido confirmado por fontes oficiais.
Talvez o único mérito desse uniforme foi incluir dois apetrechos novos que Ben Reilly reutilizaria durante seu curto período como Homem-Aranha “oficial: A “teia de impacto” (uma teia diferente, disparada como uma “bola”, que envolve o inimigo no impacto) e os “ferrões” (pequenos dardos tranqüilizantes disparados pelo lançador de teia). Curiosamente, Peter Parker não fez muito uso desse equipamento depois de reassumir seu “posto” como Homem-Aranha.
Primeira aparição: Web of Spider-Man 118.

O Clone-Aranha

O Clone aranhaEventualmente foi revelado que Ben Reilly seria o verdadeiro Homem-Aranha (não, isso não durou!), o que leva Peter a se aposentar e Reilly a tornar-se o novo Homem-Aranha. Ele decide aposentar seu uniforme de Aranha Escarlate (felizmente!) e adotar um novo, mais similar ao visual clássico.
O novo uniforme mantém os lançadores de teia externos e tem uma insígnia de aranha que envolve a frente e as costas do uniforme. Se ficasse aí não estaria mal, mas o criador do uniforme, o desenhista Mark Bagley, errou a mão ao substituir as luvas e botas vermelhas do uniforme clássico por pequenas “seções” vermelhas nas pernas e dedos do Aranha. O resultado não é nada harmonioso e não chegou a convencer os leitores, com o novo uniforme sendo descartado juntamente com Ben Reilly quando Peter Parker voltou a ser o único e verdadeiro Homem-Aranha.
Eventualmente ele seria adotado pela filha do Homem-Aranha de um universo alternativo, a Garota-Aranha, cujas aventuras são publicadas até hoje pela Marvel. Provando que esse era realmente um uniforme de menina…
Primeira aparição: Sensational Spider-Man 0.

O uniforme da Zona Negativa

Zona negativaAo partir para uma missão na Zona Negativa, o Homem-Aranha tem seu uniforme afetado durante a transição, assumindo cores no “espectro negativo” do habitual (basicamente o azul e vermelho são substituídos por cinza e preto, respectivamente).
Apenas uma curiosidade para animar uma trama desinteressante, este uniforme merece destaque apenas por ter sido a óbvia inspiração para o “uniforme negro” do filme Homem-Aranha 3, que é muito mais parecido com este do que com o uniforme negro original dos quadrinhos! O visual foi criado por John Romita Jr.
Primeira aparição: Peter Parker: Spider-Man 90.

Crise de Identidade

Acusado de matar um criminoso sufocando-o com sua teia, o Homem-Aranha é procurado pela polícia e uma infinidade de aventureiros fantasiados. Para poder obter as provas de sua inocência em paz e ciente de que assumir uma identidade nova com os mesmos poderes que tinha antes não enganaria ninguém, Peter Parker decide adotar quatro identidades novas ao mesmo tempo durante a saga batizada como “Crise de Identidade” (não confundir com o megacrossover DC homônimo), cada uma com seu respectivo (e pouco memorável) uniforme.

As quatro identidades são:

SombraSombra – durante a missão na Zona Negativa mencionada acima, o Aranha conhece o herói local denominado Dusk, que usava um uniforme negro que lhe concedia poderes especiais. Porém este morre em combate, fazendo com que o Aranha assuma sua identidade (e uniforme) para derrotar o vilão Blastaar. O uniforme especial de Dusk permitia ao Aranha se esconder nas sobras e planar. Na identidade de Dusk, o Aranha fingia ser um mercenário misterioso. Esta identidade simbolizava o lado misterioso do personagem.
Primeira aparição: Peter Parker: Spider-Man 90.

VespaVespa – usando um uniforme espalhafatoso desenhado por Mary Jane e incorporando os “ferrões” criados por Bem Reilly e um jato pessoal criado por seu amigo Hobie Brown (o anti-herói conhecido como Gatuno), que o permitia voar, o Homem-Aranha assume a identidade de Hornet, herói tecnológico. Esta identidade simbolizava o lado tecnológico do personagem.
Primeira aparição: Sensational Spider-Man 27.

 

RicocheteRicochete – botando um uniforme moderninho, com direito a uma jaqueta de couro, e usando principalmente sua agilidade e uns discos de arremesso como equipamento extra, Peter Parker torna-se Ricochete, herói jovem e piadista que só um imbecil não perceberia que é na verdade o Homem-Aranha. Esta identidade simbolizava o lado bem humorado do personagem.
Primeira aparição: Amazing Spider-Man 434.

 

ProdigioProdígio – adotando uma postura séria e heróica, uma armadura dourada à prova de balas (sabe-se lá de onde o sempre falido Peter Parker tirou o dinheiro para isso..) e usando sua força e pujança física como principais armas, o Aranha se transforma em Prodígio, um herói no estilo “clássico”. Esta identidade simbolizava o lado heróico e responsável do personagem.
Primeira aparição: Spectacular Spider-Man 256.
Embora criada claramente com propósitos comerciais, a trama de Crise de Identidade foi bem sacada e explorou muito bem as várias facetas do personagem. O troca-troca de identidades também foi bem explorado pelos escritores da época, com uma boa dose de humor. A saga também foi curta o bastante para não irritar os leitores, algo que maior parte das sagas anteriores e posteriores do personagem teria feito bem em imitar…
Eventualmente essas quatro identidades seriam assumidas por um grupo de heróis adolescentes, os Slingers, que protagonizariam uma série de curta duração, inédita no Brasil.

O Aranha de Ferro

Aranha de ferroMais recentemente, após uma trama estúpida demais para merecer ser descrita aqui, o Homem-Aranha recebe uma armadura especial de seu amigo Tony Stark, o Homem de Ferro, feita sob medida para explorar ao máximo suas capacidades. Visualmente o design, criado por Chris Bachalo e desenvolvido por Joe Quesada, tem diversas falhas. Para começar, o esquema de cores (vermelho e dourado, como a armadura do Homem de Ferro) não ajuda. Ele funciona no Homem de Ferro porque na maior parte das armaduras deste apenas a máscara e os braços e pernas (mas não mãos e pés!) são dourados, com o vermelho como cor dominante. Na armadura do Aranha, a máscara, vermelha com os “olhos” em dourado, funciona, mas a imensa aranha dourada na frente estraga a composição. Pior, ela impede que os braços e pernas sejam dourados como na armadura do ferroso, o que faz com que os elementos dourados dela sejam braceletes e polainas (!), transformando o Aranha em uma improvável combinação da Mulher Maravilha com o Tio Patinhas!
Para agravar, Quesada teve a “brilhante” idéia de incluir na armadura três braços extras, ao invés dos quatro que se esperaria para completar os oito membros de uma aranha (sabe-se lá qual membro Quesada achava que deveria ser o oitavo…), dando a eles uma feia aparência assimétrica e assegurando que o terceiro braço extra sempre apareceria na posição mais ridícula e improvável possível. Uma decisão inexplicável que arrasaria de vez com qualquer chance desse uniforme se tornar tão memorável quanto os melhores do personagem.
A armadura em si, porém, tem capacidades ainda maiores que o antigo traje simbiótico, dando ao Aranha a capacidade de planar e incluindo os mencionados braços extras, rádio, visores infravermelhos, sistema de camuflagem, suprimento de oxigênio, capacidade de mudar de aparência para parecer um traje comum, máquina de cafezinho e mais um milhão de outras coisas. Mais do que qualquer outra coisa, essa armadura prova de que a tradicional afirmação dos fãs de que Stark deveria criar armaduras especiais para todos os Vingadores faz muito sentido…
Criada desde o princípio com o intuito de ser um traje temporário, a armadura não fez grande sucesso porque tornava o Aranha um personagem poderoso demais (razão pela qual a Marvel sempre ignorou essa queixa específica dos fãs…). Junte a isso o visual tenebroso e temos um uniforme que não deixará saudades.
Primeira aparição: Amazing Spider-Man 529.

Outros uniformes

Para além dos uniformes usados por Peter Parker e Bem Reilly nas HQs, há uma série de trajes usados por outros “homens-aranha” da Marvel (como o Homem-Aranha 2099) e pelo herói em outras mídias (como o uniforme usado no desenho Homem-Aranha: Ação sem Limites, que chegou a ter uma versão em quadrinhos). Mas estes estão além do escopo deste artigo. Clique nos links para saber mais.

Conclusão

Um dos personagens de visual mais distintivo dos quadrinhos, o Homem-Aranha tem a honra de já ter tido dois uniformes bastante diferentes mas igualmente marcantes (o clássico e o negro), coisa que poucos personagens de quadrinhos já conseguiram.
Além desses, o Aranha já teve uma série de outros (mencionados acima) com diversas qualidades e defeitos, mas que não foram tão marcantes. Um bom uniforme de super-herói é capaz de se impor em qualquer situação (como fez o negro durante certo tempo) e fato destes não terem conseguido é um sinal claro de suas deficiências.
Resta ver se no futuro surgirá ainda outro uniforme marcante na vida de Peter Parker. Novas variantes sempre surgirão (nem que seja para alegrar os fabricantes de brinquedos…), mas uniformes de qualidade são sempre raros e preciosos.

Referência: http://www.omelete.com.br/quadrinhos/os-uniformes-do-homem-aranha-nos-quadrinhos/

1 Comentário Homem-Aranha 50 anos: Confira a terceira parte do material sobre a vida do herói aracnídeo

  1. Jose Marcos

    Muito bom esse material é informativo e profundo quanto as varias faces do nosso herói.
    Muitos sites não tem essas histórias sobre o homem-aranha.

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