Urbano – O Aposentado

Conheça o divertido aposentado, caprichadamente gordo que adora uma boa feijoada

Urbano - O Aposentado

Urbano ainda tem que fugir da marcação cerrada de sua empregada, a Maria, que não o deixa comer coisas gostosas por causa da saúde.
O personagem nasceu durante uma aula de sociologia no curso de Ciências Sociais na Faculdade de Filosofia Santa Dorotéia, em 1982. A tira começou a ser publicada em O Globo, em setembro de 1986, depois de ser classificada num concurso promovido pelo jornal.

Antônio Silvério

Antônio Silvério

Há 26 anos no jornal O Globo, as tirinhas diárias de “Urbano, o Aposentado” fazem o maior sucesso entre os leitores. Seu criador, o cartunista Antônio Silvério, é chargista de A VOZ DA SERRA desde 1985. Há sete anos é professor e orientador no curso de animação do Núcleo de Tecnologia Educacional (NTE), uma estrutura descentralizada de apoio permanente ao processo de introdução da tecnologia e da telemática nas escolas públicas, cuja origem é o Proinfo (Programa Nacional de Informática–MEC).
Segundo Silvério, o curso pretende apresentar aos professores o potencial educacional da linguagem da animação e possibilitar sua utilização em sala de aula. Durante o curso, são exibidos filmes selecionados para debate. Através da manipulação e confecção de dispositivos ópticos, os professores conhecem a história da animação, e têm aulas práticas para a produção de pequenos filmes animados em diferentes técnicas.
Tomei conhecimento do concurso do Globo folheando o jornal durante um trabalho freelancer numa madrugada de 1986 em uma agência de propaganda. Eu já tinha o Urbano no papel. O regulamento do concurso pedia 20 tiras. Consegui completá-las e enviá-las no último dia do prazo de inscrição” – conta Silvério, que ganhou, como prêmio, Cz$ 3 mil.

Tirinhas Urbano o Aposentado

O personagem vem se desenvolvendo ao longo do tempo não só graficamente, mas também acompanhando as mudanças sociais. Uma praça perto da sua casa é o seu refúgio predileto. É nela que Urbano se encontra com seus amigos, tão idosos e aposentados como ele ou não: O hipocondríaco Almeida, o conquistador Valentim, o vovô Fonseca sempre às voltas com neto Armandinho e Dona Marlene. É Maria quem trabalha e cuida da casa e da vida desse aposentado que vive sonhando com feijoadas no lugar do mingau diário e que entre as várias manias coleta e coleciona objetos sem utilidade.

Tirinhas de Urbano, o Aposentado

Ao fazermos “um arrolamento do quadro da vida cotidiana” (MOLES, 1972) de Urbano, podemos perceber que os objetos que o cercam excedem às suas necessidades. Tanto
as suas coleções de inutilidades como os seus trastes poderão ser categorizadas em subconjuntos dentro de um quadro inventariado maior? A lista de coleções de “inutilidades” de Urbano, pode ser arrolada entre outras como de: pios de aves; caixas vazias de creme dental; talheres e pratinhos descartáveis; sons exóticos; araminhos de pão de forma; carrinhos de feira; lâmpadas queimadas; rolhas de garrafas; balões vazios de festas de aniversário; pneus carecas; panfletos de rua; embalagens vazias; prospectos de produtos; escovas de dente antigas; guarda-chuvas quebrados; esponjas de limpeza antigas; bonecos birutas de lojas e postos de gasolina; clipes; porcas, parafusos e pregos velhos; tubos vazios de creme dental; pentes velhos etc. Mas, o aposentando também coleciona objetos que notadamente podem fazer parte de um inventário de “colecionadores nobres”, tais como: cartões postais; ampulhetas; caixinhas de músicas; soldadinhos chumbo; tambores; medalhas; papéis de carta etc.

Tirinhas do Urbano, o Aposentado

No entanto, tantos os objetos úteis quanto os inúteis colecionados, podem servir como elementos de transgressão e/ou de perturbação na rotina de Urbano ou dos que estão à sua volta, seja pela insistência dele para que Maria reveja novamente seus cartões-postais, ou para que escute novamente seus apitos de aves; seja quando ele põe-se a tocar e experimentar o som de seus vários tambores… Em diversas ocasiões, Maria reage protestando veementemente:

POR QUE NÃO COLECIONA CHAVEIROS? POR QUE NÃO COLECIONA SELOS COMO SEUS AMIGOS? EU NÃO VOU VER A SUA COLEÇÃO DE CARTÕES-POSTAIS NOVAMENTE! (SILVÉRIO, Grifos do autor).

Tirinhas de Urbano, o Aposentado
No caso, um colecionador, é sempre um interlocutor a presentificar a memória de um indivíduo ou de um grupo, lutando contra a dispersão das coisas e do esquecimento. Tanto é que, seus objetos de coleção, por exemplo, passam por processos de catalogação, conforme um texto de uma etiqueta que ele lê para Maria: “Esse balão fez parte da decoração da festa de aniversário do netinho do Aprígio em 1998” (grifos do autor). Ou, em outra situação quando ele expõe sua coleção de lâmpadas queimadas para Maria: “Esta queimou no dia 25 de abril de 1976”.

Tirinha colorida de Urbano, o Aposentado

Tirinha colorida de Urbano, o Aposentado

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