Entrevista com Primaggio Mantovi

O Blog Mania de Gibi entrevistou esse grande desenhista que criou o Palhaço Sacarrolha e trabalhou em diversos projetos da Disney

Blog Mania de Gibi entrevista Primaggio Mantovi

Já foi publicado aqui um post especial falando sobre a vida e carreira deste grande artista, Primaggio Mantovi. Falamos também sobre um de seus grandes, senão o maior, trabalho, o Palhaço Sacarrolha. Agora você confere a entrevista especial que Primaggio nos concedeu.

 MDG: Antes de mais nada, gostaria de agradecer essa sua entrevista especial para o Blog do Mania de Gibi. Na reportagem postada no blog, onde foi feito um resumo de sua vida nos quadrinhos, ficou faltando informações a partir de 2007 sobre o seu trabalho. Dessa época para os dias de hoje, em que você se dedicou e o que foi produzido?
– Entre 2007 e 2012, lancei o livro “O Centenário de John Wayne”, editado pela Mythos, concluí o livro “Walt Disney, a Arte de Realizar um Sonho”, iniciado em 2004 (com lançamento planejado para 2013, ano em que a Disney completa 90 anos de existência). Paralelamente, continuei traduzindo, pra editora Abril, as histórias em quadrinhos da Disney Italy; dei aula, à distância, para um curso roteiro, que o Senac oferece, realizei palestras sobre HQ – e minha carreira, num todo – em gibitecas e centros culturais, e até o presente momento produzi, em parceria com Franco de Rosa (da editora Kalaco), o Almanaque Sacarrolha 40 Anos, comemorando, obviamente, o 40º aniversário do meu personagem. Salvo mudanças, o lançamento deve acontecer no dia 4 de agosto, na Comix. No momento estou produzindo uma coleção de almanaques, com matérias e HQs do cowboy Rocky Lane, personagem com o qual dei o ponta pé inicial à minha carreira, em 1965. E otras cositas más que ainda é cedo pra revelar.

MDG: Você também é colecionador? De quê?
– Quando jovem, colecionava Gibis, mas com o passar do tempo, resolvi ‘dar um tempo’, até porque, já não tinha onde guardar! Rsss! Mas há uma coleção que continuo “alimentando”: miniaturas de personagens de histórias em quadrinhos e cinema. A coleção só não é maior porque eu só compro peças muito bem realizadas e, sobretudo, fiéis ao original.

MDG: Você acha que os quadrinhos de faroeste (que você sempre gostou muito), com exceção do Tex e Mágico Vento (ainda sendo comercializados), teriam mercado no Brasil como nos anos 60 e 70? Por que, naquela época, esses quadrinhos eram tão populares?
– Não acredito, até porque, mesmo no cinema, onde o gênero reinou por mais de 50 anos, não há mais espaço para os velhos e saudosos cowboys. As HQs explorando o gênero, faziam sucesso porque os tempos eram outros, a vida era mais simples, mais “agreste”. O público gostava dos cowboys porque se identificava com a simplicidade deles e seus heroísmos ingênuos, se comparados às bravatas dos super-heróis atuais.

MDG: O estilo mangá veio para ficar? O que você acha dele? Ele atrapalhou o trabalho dos personagens brasileiros?
– O mangá invadiu, não só o Brasil, como o mundo inteiro… E seu estilo “diferente” de realizar HQs, conseguiu conquistar uma respeitável legião de fãs, mundo afora. Pouco a pouco, a “febre” está baixando, mas o terreno que o gênero conquistou é “pra sempre”. A meu ver não atrapalhou, eu diria que ajudou, abrindo portas para os artistas brasileiros que se identificaram com o estilo.

Entrevista com Primaggio Mantovi

 MDG: E a internet? O quadrinho digital, atrapalha ou acrescenta? Já é o futuro?
– Acrescenta. E não apenas isso, no meu modo de ver, muito em breve vão conviver pacificamente e, até mesmo “formar” parcerias.
MDG: Em relação aos quadrinhos da Disney, hoje a editora Abril realiza vários lançamentos. Será uma mudança no mercado?
– Graças à nova (e boa) administração no Núcleo Jovem da Abril, a qualidade das revistas melhorou sensivelmente, o que acabou alavancando as vendas e provocando essa “impressão” de mudança de mercado.

MDG: A editora Pixel relançou a revista do Recruta Zero e outros personagens. Será que a garotada de hoje irá curtir ou somente os saudosistas irão comprar a revista?
– Pouco importa se o personagem é antigo ou não, o que vale é a qualidade do material. Uma prova? Logo após o Premio HQMix, promovemos um pré-lançamento do Almanaque Sacarrolha 40 Anos e, apesar de grande parte do material ter mais de 30 anos, vem recebendo elogios “entusiasmados”, de “gregos e troianos”.

MDG: E falando no Sacarrolha, você não gostaria de retornar ao mundo dos quadrinhos relançando seu maior sucesso? Ele teria espaço hoje?
– Quem sabe? A segunda parte da pergunta está respondida acima (rsrs).

MDG: E no 24º Troféu HQ Mix, a estatueta do prêmio foi a imagem do palhaço Sacarrolha! Como você se sentiu ao receber essa homenagem?
– Lisonjeado. Sem falsas modéstias: nunca pensei que chegaria “tão longe”. Fazer o que se gosta (e eu ADORO!), já é uma recompensa. Receber uma homenagem desse porte parece, sei lá… Além da conta!

24º Premio HQ Mix - Palhaço Sacarrolha como troféu

24º Premio HQ Mix - Palhaço Sacarrolha como troféu

MDG: Você acha que as reportagens que o Blog Mania de Gibi faz sobre os personagens e autores ajudam a divulgar o trabalho e consequentemente as vendas?
– Pode parecer resposta “ensaiada”, mas não é: sem sombra de dúvida, tanto as reportagens, como as entrevistas “publicadas” no Mania de Gibi, ajudam (e muito!) a divulgar o trabalho de um autor e, consequentemente, a sua carreira num todo, incluindo o “valor de mercado”.

MDG: Gostaria de deixar alguma consideração final?
– Perguntas bem formuladas merecem respostas sinceras e objetivas, portanto, as minhas “considerações finais” estão embutidas na própria entrevista. Sucesso ao blog Mania de Gibi e muito obrigado pela oportunidade. Até! Primaggio

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