Morre Guttemberg Monteiro

Saiba sobre um dos grandes quadrinistas do Brasil

GUTEMBERG MONTEIRO

Gutemberg Monteiro, nascido em Minas Gerais, em 4 de dezembro de 1916, foi um dos grandes quadrinistas de nosso país, tendo seu trabalho publicado pela RGE, Ebal e Continental. Além do Brasil, desenhou por muito tempo nos Estados Unidos, ilustrando títulos de terror, como a “Creepy”, e a tira infantil Tom & Jerry.

Almanaque do O Globo Juvenil

Almanaque do O Globo Juvenil

Gutembert foi descoberto por Adolfo Aizen. Era filho de seu motorista. Começou a carreira em 1943. Foi o principal capista de revistas em quadrinhos (Gibi Mensal e O Globo Juvenil Mensal) e policiais (X-9, Meia-Noite) da Editora Globo, de Roberto Marinho. Um desenhista que tinha traço próprio, (não se limitava a decalcar desenhos, como faziam a maioria dos outros capistas) ilustrou várias matérias de apenas uma página e vários romances que foram quadrinizados.

A Moreninha e O Fantasma

A Moreninha e O Fantasma

O primeiro deles foi “A Moreninha” para a Edição Maravilhosa. Durante alguns anos elaborou capas e outros trabalhos de ilustração tanto para a Ebal como para a Rio Gráfica Editora.

“Até a época em que trabalhei no ‘Globo Juvenil’, assinava Gutemberg de Oliveira”, informou Monteiro em entrevista recente. Sobre o pseudônimo Gut, o desenhista esclareceu que o apelido surgiu “lá no Globo mesmo. A turma em vez de escrever ‘Gutemberg’ botava ‘Gute’. Na América passei para eles o ‘Gut’ com ‘u’, mas em inglês trata-se de uma palavra pouco aconselhável. Quer dizer ‘porcaria nas tripas’. Então, me aconselharam a botar os dois ‘ós’ e depois dois ‘tês’, já que eles praticamente não pronunciam o ‘t’ quando este está no final da palavra. Na escola, mais tarde, quando dei aulas de desenho para crianças judias, elas pronunciavam ‘Gooty’. Os americanos trocam muito o ‘t’ pelo ‘r’.”

Além da Rge, Monteiro trabalhou também paras as editoras Ebal (a partir da segunda metade da década de 40) e a Continental/Outubro. De volta à RGE, chegou a desenhar as histórias do Fantasma no Brasil. Segundo Zumba, no site www.volcano.net, a Rio Gráfica Editora tinha os direitos autorais do Fantasma no final dos anos 1960. Recebia as tiras americanas da King Features Sydicate, que eram remontadas para caber no espaço das páginas da revista “Fantasma” brasileira. Porém, as tiras não eram suficientes para suprir a demanda da HQ mensal no Brasil, fazendo com que Gutemberg e Walmir Amaral tivessem a idéia de desenhar o personagem aqui mesmo em terras nacionais, com textos do próprio Walmir. Assim, as revistas passaram a intercalar histórias americanas e brasileiras.

Após desenhar capas de revistinhas como Riquinho e Bolota, foi convidado, nos anos 60, para trabalhar nos Estados Unidos, onde ilustrou capas de revistas de heróis como Capitão Marvel e Superman.

Já nos Estados Unidos, o artista ficou mais conhecido desenhando quadrinhos de terror para a Warren Publishing, nos anos 60, na revista Eerie e a Creepy.

Em paralelo, desenha as tiras dominicais de Tom & Jerry, fazendo-as ao longo de 15 anos sob o apelido de “Goot”. Segundo José Menezes, em entrevista publicada no site www.aldeiaplanetaria.com.br, após ficar por tanto tempo nas tiras de Tom & Jerry, Monteiro recebe um convite da Hanna-Barbera para trabalhar em Orlando, continuando dessa forma a desenhar a dupla de personagens. Não querendo mudar com sua família de Nova Iorque para Orlando, decidiu não aceitar a proposta, com um pouco de arrependimento. Nas palavras de José Menezes, Tom & Jerry era já tão inerente a Monteiro que foi “como perder um parente próximo”.

“Inimitável”

Quando Goott diz que nenhum desenhista conseguiu imitar o seu traço não se trata de falsa modéstia, pois é a pura verdade. Seu traço é inigualável, a tal ponto que uma vez ele interrompeu o seu trabalho nos estúdios Hanna-Barbera, que contrataram um desenhista argentino para lhe substituir nas histórias em quadrinhos de Tom e Jerry.

A tentativa foi frustrada e não deu certo, porque o artista portenho não conseguiu imitar o traço de Goott, e a decisão dos donos do estúdio foi deixar de produzir as tirinhas com os personagens que eram desenhados pelo brasileiro:
— O estilo do argentino não era ruim, mas não se comparava ao meu e eles resolveram parar de publicar as histórias de Tom e Jerry, que sumiram dos jornais e revistas e ficaram somente sendo exibidas na televisão e no cinema, disse o artista que cuidou dos quadrinhos de Tom e Jerry durante 16 anos e revelou que estes foram os personagens mais interessantes da sua carreira.

Tanta coisa boa aconteceu na vida de Goott no tempo em que ele morou em Nova York, que segundo ele “seria difícil enumerá-las”. Mas lembrou do tempo em que passou desenhando caricaturas de políticos norte-americanos e foi convidado pela então primeira-dama Barbara Bush para visitar a Casa Branca, em Washington:
— São coisas como estas que me deixam maravilhosamente feliz. Outra grande satisfação que eu tenho vem do tempo em que eu era professor de cartum numa escola nos Estados Unidos e recebi um convite para me transferir para outra instituição. Os alunos ficaram sabendo e me enviaram diversas cartas pedindo para que eu não fosse embora, declarou.

Goott foi convidado pelos norte-americanos para desenhar os personagens Batman e Capitão América. Quando terminou seu primeiro contrato, pediram que continuasse e assumisse os desenhos do Super-Homem e de Dick Trace. Daí em diante, passou a ser requisitado também para ilustrar de anúncios publicitários:
— Trabalhei em diversos estúdios de publicidade, e tenho a satisfação de dizer que o meu trabalho só os fez crescer. Alguns desses estúdios tiveram prejuízos com a minha saída, disse o desenhista.

É por essa razão que ele diz que se sente seguro em afirmar que está realizado profissionalmente:
Fiz a escolha certa. Deus fez de mim tudo o que ele quis, eu é que acho que não fui suficientemente inteligente para ir além do ponto que eu cheguei. Mas me dei muito bem e me sinto realizado profissionalmente e artisticamente. É maravilhoso! Eu não esperava que isso acontecesse na minha vida, disse o artista.

Fantástico

“O Goott foi uma espécie de instituição para todos nós desenhistas e cartunistas que começamos a aparecer nos anos 40. Ele foi um ponto de referência que direcionou toda uma geração de artistas”, disse o cartunista Adail, que não chegou a trabalhar com o desenhista, mas é um grande admirador dos seus desenhos.

No meio artístico Goott era considerado um desenhista completo, cujo traço ultrapassa qualquer convenção de estilística, justamente porque teve que desenhar todos os estilos nos estúdios em que trabalhou, desde os super-heróis até os personagens dos quadrinhos como Gasparzinho, Bolota, Brasinha, Tininha, entre outros:
Trata-se de um trabalho que extrapola essa questão do estilo, pois além de fazer o seu próprio trabalho ele fez com maestria o dos outros. Isso é fantástico, disse o cartunista Zé Roberto.

O repórter-fotográfico e cinematográfico Iarle Goulart, amigo de Goot de longa data, lamentou o fato de o desenhista só vir a ser conhecido no Brasil a partir dos anos 90:
No Brasil ninguém conhecia Gutemberg Monteiro, apesar de nos Estados Unidos ele ser um artista muito famoso. Mas isso se deve à sua simplicidade. Se ele fosse uma figura que gostasse de aparecer e badalar seria uma personalidade famosa dentro do seu próprio País, observou Iarle.

Gutemberg morreu aos 96 anos, dia 09 de dezembro de 2012, em Saquarema, de acidente vascular cerebral.

ALGUMAS CAPAS DESENHADAS POR GUTEMBERG

Capas desenhadas por Guttemberg Monteiro

ALGUMAS CAPAS DESENHADAS POR GUTEMBERG

fontes:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Gutemberg_Monteiro

http://www.guiadosquadrinhos.com/

http://www.abi.org.br/primeirapagina.asp?id=4751

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