Morreu Francisco Solano López, um dos grandes nomes das HQs

Escritor e desenhista de El Eternauta, faleceu em Agosto de 2011

Francisco Solano López

O escritor e desenhista Francisco Solano López faleceu em 12 de agosto de 2011, aos 83 anos de idade, em Buenos Aires, na Argentina.
Solano López, autor do clássico El Eternauta, nasceu em Buenos Aires, em 26 de outubro de 1928. Sua carreira nos quadrinhos começou em 1953, na Editorial Columba, ilustrando roteiros de Roger Plá, para a série Perico y Guillermina.
No mesmo ano, também desenhou Frisco Kid, com enredo de Julio Portas, adaptado do romance de Jack London, para a Editorial Abril.
Nesta fase, seu trabalho é bastante influenciado pelo traço do artista italiano Paul Campani (pseudônimo de Paolo Campani), que colaborava com a Editorial Abril desde 1946, e para a qual ilustrou oito séries.
Outros trabalhos de Solano López para a Editorial Abril incluem Pablo Maran, Uma-Uma e Bull Rocket, publicada na revista Misterix, em 1955.
Esta série marca o início de uma das parcerias mais famosas dos quadrinhos, entre Solano López e o célebre escritor Héctor Germán Oesterheld (1919-1978).
Oesterheld criou a Editoria Frontera, junto com seu irmão Jorge, em 1957. Neste período, ele e Solano López criaram histórias como Joe Zonda, Rul de la Luna, ambas publicadas na revista Frontera; Rolo el marciano adoptivo; Amapola Negra, Lord Pampa, Ernie Pike, série que também teria desenhos de Hugo Pratt, Jorge Moliterni e José Muñoz; e El Cuaderno Rojo.
O ponto alto da colaboração desta dupla é a serie El Eternauta, lançada em Hora Cero semanal, em setembro de 1957, e que foi publicada durante dois anos. Em 1969, a série foi recriada por Osterheld e Alberto Breccia.
El Eternauta é um título que influenciou diversas gerações de artistas e escritores. Foi publicada no final da década de 1970, na Itália, em LancioStory,e deu nome a uma grande antologia de fantasia e ficção científica italiana da década de 1980, a revista L’Eternauta.

Em 1959, o autor mudou-se para a Madrid, na Espanha – e depois para Londres, na Inglaterra – e começou a trabalhar para a editora inglesa Fleetway (entre 1963 e 1968) e Ace Air Library, produzindo HQs como Galaxus – The Thing from Outer Space, Kelly’s Eye, Pete’s Pocket Army, The Drowned World, Janus Stark, Adam Eterno e Professor Kraken.
No final do anos de 1960, voltou à Argentina e passou a desenhar para a editora Columba.
Em 1976, voltou a colaborar com Oesterheld, realizando El Eternauta II, publicada na revista Skorpio. A série incorporava diversas das ideias políticas de Oesterheld, que neste período era militante do grupo Los Montoneros, que se oponha à ditadura militar na Argentina.
Acredita-se que este trabalho foi uma das causas do desaparecimento de Oesterheld, em 1977.
Ainda em 1976, Solano López começou a colaborar com Ricardo Barreiro, e juntos produziram Slot-Barr. O pesado clima político na Argentina e o desaparecimento de Oesterheld, levaram o artista a imigrar para a Espanha. Lá ele publicou Ana e Historias tristes.
Solano López vendeu para editoras europeias os direitos de publicação de Slot-Barr e desenhou duas histórias de Romancero, para revista francesa À Suivre.
Na década de 1980, ilustrou uma HQ militar, Águila Negra, com roteiro de Ray Collins. Neste período também desenhou Calle Corrientes, história escrita por Guillermo Saccomano, publicada em Superhumor.
Outra de suas colaborações deste período é a série policial Evaristo, escrita por Carlos Sampayo, em 1983.
Solano López passou a morar no Rio de Janeiro e começou a trabalhar, à distância, para editoras estadunidenses. Ilustrou a graphic novel Ana, de 176 páginas, escrita por seu filho Gabriel Solano López, publicada pela Fantagraphics.
Pouco tempo depois, o artista retornou a Buenos Aires, e continuou a colaborar com editoras dos Estados Unidos, com histórias como Young Witches, Peter Rock e Freaks (de Jim Woodring). Na Argentina, colaborou com Pol, pseudônimo de Pablo Maiztegui. Em 1990, publicou El Televisor, HQ com roteiro de Barreiro, na revista Fierro.
Outros trabalhos de Solano López na década de 1990 incluem El Instituto, escrito por Barreiro e publicado na revista espanhola El Vibora, em 1993; Prostíbulo del Terror, Sexy Symphonies; Jonny Quest, com roteiro de Kate Vorley, publicada pela Dark Horse Comics, em 1996; Aliens – Kidnnaped (Dark Horse Comics).

El Eternauta, El Instituto, Young Witches e Jonny Quest

Em 1997, Pol e Solano López reviveram El Eternauta, em El Mundo Arrepentido, publicada em Nueva. A história é uma das diversas viagens do protagonista e se passa antes de ele aparecer para o escritor que é personagem da primeira versão da HQ. No ano seguinte, foi premiado na Expo Comic de Madrid.
El Eternauta seria revivido mais uma vez em 2001, numa história ambiciosa que ignora por completo o roteiro de El Eternauta II, e se passa 40 anos no futuro, no qual Buenos Aires foi reconstruída pelos invasores. Em 2006, a história ganhou outro capítulo: La búsqueda de Elena, publicada em seis partes.
Em 2007, o autor realizou uma nova aventura de El Eternauta, com roteiro de Juan Sasturain.
Francisco Solano López foi homenageado em 5 de dezembro de 2008, tornando-se Cidadão ilustre da Cidade de Buenos Aires, numa cerimônia realizada no palácio legislativo. No ano seguinte, recebeu o prêmio Rodolfo Walsh, do Sindicato de Periodistas.
Sua última obra foi realizada para a Télam (Agencia Nacional de Noticias de la República Argentina), com enredo de Teodoro Boot.

É uma pena ter que anunciar estas tristes notícias. O mundo dos gibis perde mais um grande nome. Ontem anunciamos a morte de Jean Tabary, o desenhista de Iznogoud.

1 Comentário Morreu Francisco Solano López, um dos grandes nomes das HQs

  1. Alan

    Sou desenhista, Solano foi meu primeiro emprego, fui assistente de desenhista dele aos 13 anos. Estupidamente só fiquei sabendo da noticia agora. Estou triste, foi um grande mestre na minha vida.

    Abs

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