Francês Jano assina desenhos de animação sobre Robert Johnson

Jano assina a direção de arte do filme ‘Mojo Blues’, sobre Robert Johnson, e prepara o álbum ‘Gazoline – Belle et Rebelle’ Divulgação

Jano assina desenhos de animação sobre Robert Jjohnson

RIO – Íntimo da geografia carioca depois de ter reproduzido (com muita licença poética) as paisagens locais para a coleção de HQs “Cidades ilustradas”, o parisiense Jano emprestou seu traço e sua acidez ao cinema para levar às telas a vida de uma lenda da música americana. “Mojo Blues”, que o cineasta francês Alexis Lavillat corre para finalizar até o fim do ano, narra a trajetória do cantor e compositor americano Robert Johnson (1911-1938).
Hoje com 56 anos, Jano voltará ao Brasil no segundo semestre, para participar da edição 2012 da convenção anual Rio Comicon, cuja data ainda não foi divulgada. Até lá, sua versão para a cinebiografia de Johnson, retratado como um gato preto, já incluirá episódios como uma suposta negociação de alma entre o músico e o Diabo e a composição de canções como “Crossroads Blues” e “Hellhound of my trail”.
— Eu já tinha feito algumas experiências com curtas-metragens, mas é a primeira vez que faço desenhos para um longa de ficção. Como sempre, preservo meu estilo, retratando pessoas reais com feições animais. Johnson precisava ser um felino, para encarnar a imagem de artista vagabundo associada aos bluesmen em sua época — diz Jano em entrevista por telefone ao GLOBO.

Aventuras inéditas no Rio
Homenageado pelo cinema brasileiro no documentário “Rio de Jano” (2003), de Anna Azevedo, Eduardo Souza Lima e Renata Baldi, o quadrinista, cujo nome verdadeiro é Jean Leguay, exporta para “Mojo Blues” o humor que lhe deu fama graças às peripécias do rato Kebra, que criou em 1978.
— O problema do cinema é a chatice de ter que esperar orçamento para ver o trabalho ir adiante. Tenho feito os desenhos com a minha marca, ou seja, usando a comédia para expressar as sensações que vejo na realidade ao meu redor. Agora cabe ao estúdio que apoia “Mojo Blues” conseguir o que falta para finalizar o projeto — diz o quadrinista, que promete voltar ao Rio trazendo na mala aventuras inéditas da personagem que ajudou a fazer dele um autor cult: a mulher-guepardo Gazoline.
Até março, Jano entrega a seus editores europeus a versão definitiva de “Belle et rebelle”, uma coletânea de contos que traz a guerreira criada em 1983 como uma sátira para heroínas de ficção científica como Barbarella. Lançada em 1989, a graphic novel “Gazoline et la planète rouge” conquistou o prêmio de melhor álbum do ano em Angoulême, na França, cujo festival anual de quadrinhos é considerado o de maior prestígio do setor na indústria editorial.
— Gazoline faz aquele tipo sexy que, por vezes, cai na estupidez. Minha ideia, ao criá-la, era explorar o universo do gênero sci-fi, brincando com seus estereótipos — diz Jano, casado há dez anos com a tradutora finlandesa Kirsi Kinnunen, sua aliada na luta contra seu principal adversário: o computador. — Sou um homem pré-histórico. Não tenho e-mail e desenho à mão. Quando preciso enviar alguma coisa a alguém, Kirsi envia.
Comparado a mestres da arte sequencial como Jean “Moebius” Giraud (autor de “A garagem hermética”) quando lançou “Carnet d’Afrique” (1986) e “Wallaye” (1987), Jano analisa o impacto da recente crise econômica na Europa sobre os quadrinhos sem pessimismo. Entusiasta do quadrinista Vincent Paronnaud, mais conhecido pelo pseudônimo Winshluss, o criador de Gazoline diz que há uma nova geração trabalhando à revelia das recessões.
— Eu lancei “Au Bonheur des fans” em 2007 e depois caí doente. Nos dois anos em que passei sem produzir, tratando dos problemas de saúde, notei que o número de publicações de quadrinhos na França só fez aumentar. O dinamismo nesse mercado sempre foi grande, pois existe leitura. O problema não é a crise. O problema é baixa qualidade estética daquilo que é publicado — avalia Jano. — O número de porcarias que chega às livrarias só faz crescer.

fonte: O Globo

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