A Turma do Arrepio

Conheça a geração dos filhos e parentes dos astros do terror, como Drácula e Frankenstein criada por César Sandoval em 1989

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A Turma do Arrepio é uma história em quadrinhos, criada por César Sandoval, lançada em 1989.

CÉSAR SANDOVAL, O CRIADOR

Cesar Sandoval é designer de animação, livros infantis e revistas em quadrinhos. Especializou-se na criação de personagens para quadrinhos e comerciais de TV. Iniciou seus trabalhos como assistente de arte em animação em 1969 e na editora Abril, na revista Recreio, como assistente de arte no início dos anos 70. Foi o chefe de arte de arte mais jovem da editora. Após Recreio onde trabalhou ao lado de Ruth Rocha, Renato Canini, Waldir Igayara de Souza e outras feras, foi cuidar do lançamento das revistas da Hanna Barbera, Pantera-cor-de-rosa e outros do grupo infantis. Voltando à área da animação depois de uma estadia na Europa onde trabalhou no grupo Vision na Inglaterra como free lancer, fundou a sua produtora de animação a Sketch produções. Nesta produtora dirigiu centenas de comerciais animados como a Bocona da Claybon, Pacheco da Gillette, Dodoi da Jonhson e outros tantos.

cesar-sandoval Em 1987/ 1988 Cesar criou a versão infantil dos Trapalhões, a convite do próprio Renato Aragão. A abordagem do grupo famoso como garotos estilizados revelou-se perfeita por não conflitar com a imagem real adulta do grupo da TV. Depois de estrelarem uma das revistas mais vendidas da Editora Abril, os personagens ganharam os produtos num bem sucedido programa de licenciamento com vários produtos nacionais da Alpargatas, Danone e outros. O projeto só esfriou com a morte do querido Zacarias e em seguida do inesquecível Mussum.

Algum tempo depois, César Sandoval conseguiu trazer para a Globo, outra criação sua: Sérgio Mallandro em quadrinhos, mesmo depois de 20 edições lançadas pela Abril Jovem.
E deslocou o desenhista Moacir Rodrigues Soares para a nova revista.

Capa do número 1 de SÉRGIO MALLANDRO em quadrinhos. Ilustração de Moacir Rodrigues Soares. Editora Globo, 1990.

Em 1999, criou a pedido do empresário Sérgio Murad (nome verdadeiro de Beto Carrero), o projeto Betinho Carrero, logo transformado em outro grande case de marketing.

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Escolhido como garoto propaganda do extinto Unibanco, o personagem acompanhado de sua turma virou revistas de atividades e passatempos voltadas para a criança, como parte de uma grande campanha publicitária criada pela agência Agnelli, para promover vários produtos da empresa.
Algum tempo depois, Betinho Carrero chega aos quadrinhos, porém não mais pelas mãos de Sandoval. A revista mensal lançada em bancas, trazia a arte do Belli Studio, de Santa Catarina e era publicada pela JB World Entretenimento.

MARCELINHO CARIOCA

marcelinho-carioca O ex-jogador do Corinthians, também recorreu ao talento de Sandoval quando decidiu criar um projeto voltado às crianças.
Transformado em personagem, Marcelinho Carioca estreou em 2000, em um livro com dicas de como se tornar um craque no futebol.
Foi o campeão de vendas da 16ª Bienal Internacional do Livro realizada em 2000, em São Paulo. Sua “Cartilha do Marcelinho Carioca”, vendeu nada menos do que 2.876 exemplares, antes mesmo de chegar às livrarias.

Principais trabalhos:

Comerciais de TV:

bocona Bocona da Claybon, abertura do programa e filmes dos Trapalhões , Jangadeiros pra o Banco do Nordeste, Bunnys ( Wolkswagen) para a Almap, cliente Wolkswagen, Creme dental Tandy , Postal Service para os Estados Unidos, Crunch Hormiguita para a Nestle de Porto Rico. O personagem Pacheco camisa 12 da Gillette criado pela Almap foi um dos maiores sucessos de animação e sem dúvida estaria ate hoje por aí não tivesse o Brasil perdido a copa. Encarnava um personagem neurótico, exagerado amante do futebol, como mais de 200 milhoes de outros Pachecos do Brasil.

Outros produtos:

Cesar formatou e dirigiu para terceiros vários produtos como embalagens, revistas e jogos como os personagens de Beto Carrero, e personagens em 2 D e 3 D para os Estados Unidos como Spookley, the square Pumpkin para Joe Troyano e Holliday Hill Farm.

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Holiday Hill Farm
Spookley the Square Pumpkin foi desenvolvido para Joe Troiano da Holiday Hill Farm e se tornou um filme em animação 3D de sucesso para a TV, tendo sido exibido em canais da Tv paga. Os personagens primeiro em 2D e depois em 3D foram desenvolvidos no Brasil pelo designer. Trata-se de um filme para a faixa pré escolar sobre uma pequena abóbora que sofre com o preconceito por ter nascido quadrada.

OUTROS:
chiclete-arrepioEm 2002, a copa do mundo foi na Coréia e Japão, do outro lado do mundo. As transmissões dos jogos aconteciam bem tarde da noite devido ao fuso horário. Era preciso motivar a torcida a ficar acordada até tarde… Criamos então para a RBS de Porto Alegre um personagem que foi um sucesso: A Corujinha da Torcida Coruja RBS. Foi um sucesso “trilegal de bueno”. Fizemos vários desenhos animados e o que mais fez sucesso foram as tirinhas para o jornal Zero Hora, feitas madrugada à dentro de olho nos jornais para poder criar os argumentos.

Cado Botega um dos maiores diretores de criação gaúchos foi seu parceiro nos roteiros. Eles se divertiram muito em cima dos argentinos que dançaram um tango naquela copa! Anderson Nunes foi imprescindível no desenho. O sucesso foi tão grande que os torcedores começaram a fazer por conta própria, máscaras da corujinha para sair pela rua. Quando a seleção retornou, vitoriosa com nosso querido Felipão Scollari à frente, um enxame de torcedores corujas com máscaras da corujinha, estava lá no aeroporto esperando-os .

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A TURMA DO ARREPIO

a-turma-do-arrepioA Turma do Arrepio é uma história em quadrinhos, lançada em 1989 e publicada pela Editora Globo até 1993. Ao todo, a coleção possui quarenta e três revistinhas e um almanaque. Em 1997, a Rede Manchete exibiu um seriado de 45 minutos, às 17h, baseado nos quadrinhos da Turma do Arrepio, o seriado teve dois elencos diferentes. Em 2009, A Turma do Arrepio voltou a ser editada, desta vez pela editora As Américas mas infelizmente também deixou de ser publicada.

A TURMA DO ARREPIO começou a ser criada a partir da seguinte premissa:

E se o Frankenstein tivesse um filho? Como seria? E como seria o neto do Conde Drácula?
A ideia era fazer uma versão mirim dos monstros do cinema. Inicialmente seriam bebes, e o nome seria Baby Monsters. Porém, achou-se por bem crescê-los um pouquinho, tomando o cuidado em não deixá-los violentos nem sanguinários. Essa tarefa foi entregue ao ilustrador Roberto Fukue, que teve total liberdade para recriar o visual dos personagens em outra faixa etária.
E assim foram nascendo os personagens.
O primeiro foi o Draky, herdeiro de uma nobre família de vampiros e intelectual da turma.
Depois vieram o filhote de lobisomem Luby, que adora hambúrguer e odeia gatos, a mumiazinha Tuty, que adora fazer curativos, o Stein, um menino biônico, neto do Frankenstein e que adora consertar coisas e a Medéia, uma menina aprendiz de feiticeira, que nunca acerta fazer seus próprios feitiços, o que sempre coloca a turma em grande confusões. Tem também o morceguinho Belfedo, personagem criado em 1971 para uma HQ e que César atribuiu ao universo da turminha tornando-o bicho de estimação de Draky.
Como personagens secundários: Epitáfio, o porteiro zumbi do Edifício do Arrepio, Seu Doroteu, o síndico, a aranha Magnólia, que fez sua teia no canto da portaria e a “dragoa” de estimação da medéia, Dragmar.

A EQUIPE

Para produzir seu primeiro título em quadrinhos (OS TRAPALHÕES e SÉRGIO MALLANDRO, eram produzidos dentro da Editora Abril), o estudio Sketch de Sandoval, contratou bastante gente e reuniu um time de primeira.
Profissionais talentosos trabalharam no gibi.
Nos desenhos, Gustavo Machado, Enrique Valdez, Sérgio Morettini, Marcos Uesono, Ricardo José da Silva, Eduardo Vetillo, Cláudio Vieira de Oliveira e Irineu Soares Rodrigues.
Nos roteiros, Mario Mattoso, Roberto Vieira, Denise Ortega, Gerson Teixeira, entre outros.
Na arte final, o talento de Rosana Valin, Cláudio Ishii, Ricardo Martins e Tomaz Edson.
Como Diretores de Arte: Roberto Fukue, Moacir Rodrigues Soares e Kimio Shimizu.
Além desses, muitos outros profissionais iniciaram sua carreira na revista, com destaque para Luke Ross, desenhista de Secret Avengers (Marvel).

ARREPIANDO EM OUTROS PAÍSES

CREEPY MONTERS, versão mexicana da turminha. VID Editorial, México, 1992A TURMA DO ARREPIO chegou a circular em Portugal, e também ganhou uma edição internacional com o nome de Creepy Monters, publicada pela VID Editorial do México. O sucesso conseguido naquele país, onde foram lançadas mais de 50 edições, fez com que a revista fosse distribuída no Panamá e também em outros países da América Central.

O CANCELAMENTO

Em 1993, o mercado de gibis no Brasil entrou em recessão. Plano Collor e inflação galopante fizeram com que as editoras cancelarem vários títulos e a TURMA DO ARREPIO estava entre eles. A série em quadrinhos encerrou sua carreira após 43 edições.
Porém, com a quantidade de produtos com a turminha no mercado, era preciso continuar com os personagens na mídia.
Uma série de livros infantis foi lançada em 1994 pela Editora Melhoramentos, mas era preciso algo maior, bem maior, para continuar garantindo os contratos assinados.

FIQUE LIGADO! DOMINGO QUE VEM (11/10) SERÁ POSTADA A CONTINUAÇÃO DA MATÉRIA.

Referências:
Cesar Sandoval – site oficial
alexandrehq

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