Jacques Tardi recusa honraria do governo

Quadrinista francês diz que não quer nada do governo de seu país

A guerra das trincheiras
Jacques Tardi, o quadrinista francês autor de Adèle Blanc-Sec e Era a Guerra de Trincheiras, declarou publicamente sua recusa à Ordem Nacional da Legião de Honra, honraria concedida a cidadãos franceses de grande distinção. O motivo é ideológico.

“Por ser fortemente ligado às minhas liberdades de pensamento e de criação, não quero mesmo receber nada, seja do governo atual, seja de qualquer outro poder político. É com determinação profunda que recuso essa medalha”, disse Tardi em comunicado à imprensa. “Nunca deixei de fazer troça dessas instituições. No dia em que reconhecerem os prisioneiros de guerra e os fuzilados, por exemplo, talvez a situação seja outra”, complementa.

Com 40 anos de carreira, Tardi é um dos quadrinistas mais renomados da França. Seu avô foi soldado na Primeira Guerra Mundial, o que influenciou o álbum Era a Guerra de Trincheiras, e seu pai foi prisioneiro na Alemanha durante a Segunda Guerra – tema do álbum que lançou este ano, Moi René Tardi, Prisonnier de Guerre au Stalag II B, que está concorrendo ao Festival d’Angoulême. O autor ainda tem várias outras obras dedicadas à guerra e à história política da França, como O Grito do Povo.

Os indicados à Legião da Honra foram anunciados pelo governo francês no primeiro dia de 2013. Em seu comunicado, Tardi escreve: “Não tenho interesse, nunca peço nada e nunca pedi. Não se pode ser reconhecido à força por gente pela qual não se tem estima”.

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