Turma da Mônica 50 anos: Parte 5 – Turma do Bidu

Conheça as curiosidades desse cachorrinho da Turma da Mônica

Turma do bidu
A turma do Bidu, criada por Mauricio de Sousa, é constituída essencialmente por objetos inanimados (ossos, pedras, poças de água, etc) que estabelecem diálogos, por vezes marcados pelo non-sense e pela metalinguagem. Uma das personagens mais recorrentes é Dona Pedra – além de outros cães que aparecem nas diversas funções de produção de um filme (roteiristas que estabelecem o argumento da história, sendo freqüentes as referências à própria história e à sua condição de desenhos).
Bidu nasceu em 18 de julho de 1959 quando Mauricio de Sousa foi chamado pela “Folha da Manhã” para criar uma tira semanal. Inspirado por sua infância, Mauricio desenvolveu um tema simples, com pequenas situações envolvendo um menino e seu cachorro. O que inspirou a criação do cão nós já sabemos, mas o dono do cachorro tinha um pouco do próprio autor e de um dos seus sobrinhos. Era a primeira vez que Mauricio usava um parente como inspiração, prática que se tornaria constante nos anos seguintes. Ao contrário de outras tiras, as histórias eram na vertical e não apresentavam textos.
bidu 54 anosMauricio se inspirou no cachorrinho que ele tinha na infância, o Cuíca.
As tiras de “Bidu” eram semanais e seus personagens não tinham nomes no começo. Somente quando elas se tornaram tiras diárias (1960) é que todos foram intitulados:
“Corria o ano de 1959 e eu ainda era repórter policial. Mas além das reportagens, comecei a publicar tiras semanais, de alto a baixo da página do jornal, sem título. Eram historinhas mudas, como se fosse uma charge sequencial (na vertical). Saíram durante alguns meses, até que me embaraçou a falta de título. Mas não atinava com um nome. Foi quando resolvi passar uma lista pela redação solicitando sugestões para o batismo. Choveram os nomes mais estapafúrdios, desencontrados, mas no meio deles, um antigo colega — Petinatti — indicou ‘Bidu’. Na ocasião, estava na moda a expressão ‘bidu’, significando esperto, adivinho. Achei que era uma boa imagem sonora para meu cachorrinho de papel. E escolhi o nome. Logo depois, achei que também precisava batizar o dono do Bidu. E como ele tinha, no desenho, uma franjinha feita como se fossem pingos, tirei dessa característica seu nome. Quando as tiras começaram a ser publicadas diariamente, já saíam com o título ‘Bidu e Franjinha’.“, diz Maurício, em um depoimento dado em 29/04/98.
Bidu não só foi o primeiro personagem de Mauricio como também foi o primeiro da Turma da Mônica a estrelar uma revista em quadrinhos pela Editora Continental em 1960, quando finalmente ganhou sua cor azulada, uma vez que no jornal ele fosse totalmente branco. Por ser o primeiro personagem de sucesso do autor, é até hoje o símbolo da Mauricio de Sousa Produções. Entretanto, a revista durou apenas oito edições, já que Mauricio teve que abandonar o projeto por conta da alta demanda de trabalho (afinal de contas, fazia tudo sozinho e ainda era repórter). Quando a Mônica ganhou seu título próprio pela Editora Abril, nos anos 70, o cãozinho passou a ter histórias publicadas em revistas da Turma, mas agora o autor se encontrava em melhores condições de fazê-lo, já que tinha montado toda uma equipe para ajudá-lo, com a inclusão de outros roteiristas, desenhistas e arte-finalistas, que deram alguns toques levemente diferentes às características originais dos personagens.

Franjinha e biduNas publicações da Abril, Bidu começou a aparecer sozinho, sem o Franjinha. Nessas novas histórias, ele precisava se defender de cachorrões, gatos gordos e de seu pior inimigo: o Homem da Carrocinha. Em 2008, Bidu aparece em Turma da Mônica Jovem, fato que surpreendeu muito leitores, que pensavam que Bidu já estaria morto, uma vez que a revista se passa no futuro, com a Turma na adolescência.
Pois foi pouco tempo depois de Mauricio estrear suas tiras na Folha de S. Paulo, em 18 de julho de 1959, que a editora Continental, de São Paulo, lançou o gibi Zaz Traz. E lá estavam Bidu e Franjinha estampando a bela capa. A revista durou umas sete edições.

Zas tras

Também foi lançada ao menos uma edição do Almanaque de Zaz Traz, possivelmente de 1960, e que também conta com Cebolinha na capa, apesar de não constar que desse gibi tenha qualquer história com personagens de Mauricio.

Mauricio entrou na Continental pelas mãos do desenhista Jayme Cortez, um dos mandachuvas da editora, e logo se tornaria seu amigo (nos gibis da Abril, por sinal, Cortez era o único ‘autorizado’ a desenhar as criações de Mauricio em estilo próprio).
Bidu logo ganharia título próprio, que durou oito edições. A partir do número 5, contudo, o gibi passou a trazer quadrinhos também de outros autores, já que Mauricio não conseguia tempo para produzir as tiras diárias e o material para a revista simultaneamente.

Revistas Bidu

Atualmente Bidu, que é o animal de estimação de Franjinha, participa tanto com seu dono como em historinhas em que é o astro principal, dialogando com outros cães e até com pedras. Bidu é o símbolo da empresa de Mauricio, a Mauricio de Sousa Produções. Na revista Lostinho – Perdidinhos nos Quadrinhos e no primeiro número da revista Saiba Mais, no entanto, é revelado que a primeira criação do Mauricio foi um personagem super-herói chamado “Capitão Picolé”.

Personagens da Turma do Bidu

Bidu (1959) – é um cão azul, inspirado em um Schnauzer cor sal-pimenta, meio azulada (nas primeiras edições, o Bidu era cinza). O primeiro personagem de Mauricio, cachorro do Franjinha. Inicialmente fazia aparições apenas com a turminha, se comportando como um cachorro, mas com o tempo ganhou uma outra ‘dimensão’, estreando histórias solo, como ator, personagem e se comportando quase como humano, satirizando as próprias histórias.
Apesar de Bidu ser o animal de estimação de Franjinha, suas historinhas refletem um universo paralelo, repleto de metalinguagem, onde é um astro das histórias em quadrinhos (com direito ao assistente Manfredo) e um caricato penetra-calouro-imitador, Bugu que luta por um espaço no mundo das histórias em quadrinhos). Quando é astro das histórias em quadrinhos, é bem arrogante e mal-humorado.

o Mister B (1999) – sátira do mágico Mr. M. Mister B ensina como são feitos os truques dos quadrinhos, como as pedras falantes, as caminhadas no ar e os personagens ‘imortais’. Na última história, antes de um interlúdio em suas aparições, personagens irritados com suas revelações procuram capturá-lo. Sua semelhança com Bidu leva a captura do mesmo, porém, ao fim da história, é revelado que o personagem, ainda que possuindo uma silhueta idêntica à de Bidu, é na verdade Bugu.

Manfredo (1982) – é um cachorro que faz tudo nas histórias do Bidu (nas histórias de bastidores): contra-regra, braço-direito, secretário, assistente, produtor, enfim, o que for preciso. Não costuma contracenar com Duque.
Sempre com seu boné na cabeça e sua pranchetinha na mão, organiza a bagunça toda.
O Bidu costuma dizer que ele é seu anjo da guarda, mas o Manfredo acha que anjo não merece sofrer tanto.

Bugu (1972)
“Alô, mamãe!”. Amplamente desgostado e desprezado pelo Bidu por tentar roubar-lhe a cena, Bugu é sempre chutado para fora pelo mesmo ao final das histórias. Seu maior dom é fazer imitações, e sempre arranja um jeito de representar algo no meio das historinhas do Bidu. Certa vez, apareceu Dudu, um cachorro que sabia imitar o Bugu! Um imitador de imitador…
O personagem foi criado pelo irmão de Maurício, Márcio Sousa, que diz que Bugu é um auto-retrato, “sempre tentando roubar a cena do irmão famoso”.

Buguinho (1982) – Sobrinho do Bugu que, com suas peraltices, chegou a deixá-lo doente numa clínica de repouso. Apareceu na história Bugu não veio, mas…, na revista Cascão nº1, da editora Abril.

Duque (1973)
O melhor amigo do Bidu. Esperto e simpático, está sempre convidando o Bidu para acompanhá-lo nos passatempos caninos, como correr atrás de pneus.

Personagens Bidu

Dona Pedra (1977)- uma pedra com quem Bidu fala (e que surpreendentemente também fala).

Zé Esquecido (1987) – amigo do Bidu, famoso por se esquecer de tudo que faz ou deixou de fazer. É o cão do Xaveco, mas poucas pessoas sabem disso por 2 motivos: o Xaveco é um personagem secundário e o Zé Esquecido é tão esquecido que se esqueceu aonde mora e quem é seu dono.

Fifi (1969)- cachorrinha pela qual o Bidu é apaixonado.

Zé Gordão (1994) – cachorro gordo e peludo, passa o dia inteiro babando.

Dona Árvore (2008)- árvore que o Bidu geralmente conversa com ela.

Théo – Cão Dalmata muito inteligente,amigo do Bidu.

Ruflos – O cachorro mais bravo da rua, apareceu em várias histórias.

Personagens Bidu

Em 2009 foi lançado um álbum em comemoração aos 50 anos do personagem, a edição conta com uma coletânea de histórias do personagem, incluindo uma HQ inédita em estilo mangá e uma versão facsimile de Bidu #1 da Editora Continental, no mesmo ano o personagem ganha uma história para o álbum MSP 50, álbum que homenageia os 50 anos de carreira de Mauricio de Sousa, escrita e desenhada por Laerte Coutinho.

Almanaques Bidu

Na semana que vem tem mais! Veja as outras matérias:

Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4
Parte 5

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *


7 − três =

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>